..Aymberê..

no tecido crespo do (in)significante

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Dancem macacos, dancem!

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Rabiscado por Mnemosine às 19:30
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-------------------------------------------------- Bem assim como o Riobaldo: "Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa." (G. Rosa - Grande Sertão: Veredas)
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O ELEFANTE

Carlos Drummond de Andrade

Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.

Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.

Eis meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê nos bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano,
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.

Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.

É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há na cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.

Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não narrados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.

E já tarde da noite,
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.

QUEM DISSE QUE EU ME MUDEI?

"Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa em que nasceu."

(Quintana)

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pôr-do-sol no topo do morro Santo Antônio _ Cuiabá

pôr-do-sol no topo do morro Santo Antônio _ Cuiabá
"Mas é claro que o sol vai voltar amanhã, mais uma vez, eu sei. Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã. Espera que o sol já vem. Tem gente que está do mesmo lado que você mas deveria estar do lado de lá. Tem gente que machuca os outros, tem gente que não sabe amar. tem gente enganando a gente, veja nossa vida como está. Mas eu sei que um dia a gente aprende. Se você quiser alguém em quem confiar confie em si mesmo... Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo ou que você nunca vai ser alguém... Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo. Quem acredita sempre alcança." (Renato Russo)
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