A saudade é uma tatuagem na alma. Só nos livramos dela perdendo um pedaço de nós.
(Mia Couto)
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Epígrafe
/.../ eu dizia
a mim mesmo que no fundo existem /.../ duas grandes maneiras, ou melhor, duas
grandezas, nessa loucura da escrita, pela qual aquele que escreve se apaga,
deixando, para abandoná-lo, o arquivo de seu próprio apagamento.
(Jacques
Derrida, Duas palavras por Joyce,
1987)
sábado, 3 de outubro de 2015
Do Vazio
O meu vazio, às vezes, calha de tomar semelhança com uma poça de óleo dentro de uma porção de água. Sinto angústia com a impossibilidade de penetrá-lo. Corro até a poça e tento esmagá-la, fendê-la. Como se houvesse me antecipado, ela, estratégica, divide-se em partes, variáveis sob minha força. Auto-sabotagem. Meu vazio agora é plural.
Mas... Espera!
Alguma coisa acontece na minha (des)continuidade.
Mas... Espera!
Alguma coisa acontece na minha (des)continuidade.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
sexta-feira, 10 de julho de 2015
das promessas
"Para Labirintogorias"é parte do indício daquilo que diz que: eu penso que sei o que não quero.
uma segunda dissertação foi tudo o que prometi para mim mesma que jamais faria.
só rio.
uma segunda dissertação foi tudo o que prometi para mim mesma que jamais faria.
só rio.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
terça-feira, 15 de julho de 2014
Do abandono
mais seis dias e estaria completando exatamente três anos de abandono.
andei me perdendo por aí. ainda estou perdida, mas consegui me lembrar de como se faz para chegar até aqui.
tenho coisas guardadas nesses três anos, e perdi outras tantas pelo caminho também.
sinto saudades de mim no Aymberê.
não sei se voltar aqui é estar de volta.
estou por aí.
andei me perdendo por aí. ainda estou perdida, mas consegui me lembrar de como se faz para chegar até aqui.
tenho coisas guardadas nesses três anos, e perdi outras tantas pelo caminho também.
sinto saudades de mim no Aymberê.
não sei se voltar aqui é estar de volta.
estou por aí.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Expedição Megahertz - Relato de Viagem parte XII
um frio intenso nos acompanhou desde a primeira noite de retorno. o aquecedor do carro é uma ferramenta falida. estamos quase congelados.
optamos pela rota mais curta e eu, navegadora, me esqueci de verificar a distância de postos de combustíveis. foi por pouco.
a nevasca fez uma grande curva e passou a nossa frente. já havia nevado em algumas cidadezinhas de beira de estrada quando ancoramos para reabastecer. a viagem está rápida.
indo para Córdoba, saímos da via principal e fomos por Traslasierra passando por Mina Clavero, um lugar cheio de rios, arroios serranos, pequenos vales, a Estancia Jesuítica la Candelaria no Camino de las Estancias - declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO - e o Camino de los Artesanos (pequenas comunidades autenticamente hippies). a rota provincial nos fez passar por Altas Cumbres, uma serra de rochas aparentes entrecortada por uma estradinha de rípio.
enfim, uma paisagem lindíssima e lugares inesquecíveis.
ir a Córdoba e não passar por Mina Clavero é como ir a Cuiabá e não conhecer a Chapada dos Guimarães: não viu nada.
depois de Altas Cumbres saímos na estrada de Carlos Paz. Se o Roberto Carlos tivesse passado por aqui antes de compor aquela música que fala das "curvas da estrada de Santos", certamente teria cantado "as curvas da estrada de Carlos Paz".
optamos pela rota mais curta e eu, navegadora, me esqueci de verificar a distância de postos de combustíveis. foi por pouco.
a nevasca fez uma grande curva e passou a nossa frente. já havia nevado em algumas cidadezinhas de beira de estrada quando ancoramos para reabastecer. a viagem está rápida.
indo para Córdoba, saímos da via principal e fomos por Traslasierra passando por Mina Clavero, um lugar cheio de rios, arroios serranos, pequenos vales, a Estancia Jesuítica la Candelaria no Camino de las Estancias - declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO - e o Camino de los Artesanos (pequenas comunidades autenticamente hippies). a rota provincial nos fez passar por Altas Cumbres, uma serra de rochas aparentes entrecortada por uma estradinha de rípio.
enfim, uma paisagem lindíssima e lugares inesquecíveis.
ir a Córdoba e não passar por Mina Clavero é como ir a Cuiabá e não conhecer a Chapada dos Guimarães: não viu nada.
depois de Altas Cumbres saímos na estrada de Carlos Paz. Se o Roberto Carlos tivesse passado por aqui antes de compor aquela música que fala das "curvas da estrada de Santos", certamente teria cantado "as curvas da estrada de Carlos Paz".
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Expedição Megahertz - Relato de Viagem Parte XI
Senhor Puyehue-Cordón Caulle, na sua intensa atividade sísmica, nos fez desistir de continuar ao sul.
(la Tierra del Fuego y Ushuaia - la ciudad más austral del mundo - van a quedarse para la proxima.
la nube de cenizas cruzó la cordillera y precipitó en las ciudades argentinas.)
rumbo a nuestro hogar!
vamos nosotros!
(la Tierra del Fuego y Ushuaia - la ciudad más austral del mundo - van a quedarse para la proxima.
la nube de cenizas cruzó la cordillera y precipitó en las ciudades argentinas.)
rumbo a nuestro hogar!
vamos nosotros!
terça-feira, 19 de julho de 2011
Expedição Megahertz - Relato de Viagem Parte X
nos despedimos correndo da paisagem lívida com a notícia de nevasca se aproximando.
tentamos voltar pelas montanhas, passando novamente pelos caracóis de Villavicencio, mas a nuvem se aproximou com uma velocidade tamanha que antes de chegarmos a 1km de subida já não se via absolutamente mais nada. não víamos nem a estrada nem as laterais de pedra.cegueira branca.
fizemos meia volta cuidadosamente e fomos pela estrada de túneis ao lado do rio. era a estrada da minha primeira vez. ainda estava circulável.
acelerávamos o possível e olhando no retrovisor víamos a nuvem gigantesca descendo sobre tudo atrás de nós. era uma visão lindíssima. deixamos a nevasca para trás, mas a frente, tremendamente fria, veio de carona com a gente.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Expedição Megahertz - Relato de Viagem parte IX
descemos do carro e as crianças chafurdaram o rostinho na neve.
bonecos e anjinhos.
domingo, 17 de julho de 2011
Expedição Megahertz - Relato de Viagem parte VIII
montanhas! finalmente, as montanhas!
de Mendoza saímos em direção a ruta 7, no entanto, optamos por alcançá-la por cima, passando pela reserva natural de Villavicencio, em direção a Uspallata.
passamos pelo monumento Canota e chegamos aos pés das montanhas. começamos a subir. a estrada é de chão batido, mas tão bem feita quanto o asfalto que deixamos para trás. carros pequenos transitam com naturalidade.
estamos nos Caracoles de Villavicencio. antigamente esta era a passagem obrigatória para se chegar ao Chile. é um caminho pitoresco, também conhecido como Camino de las 365 curvas ou La ruta de un año. são 17 km fazendo curvas sem parar, subindo em zig-zag pela montanha, o que torna a inclinação quase imperceptível para os quase 3 mil metros a que se chega.
a paisagem é estonteante. passamos pela velha estação de telégrafo que unia Mendoza com o Chile em 1934. alcançamos as Ruinas de Hornillos y El Balcón, um mirante geológico produzido pela erosão mecânica do vento e da água das chuvas, onde podemos ver rochas vulcânicas duras. chegamos à Cruz de Paramillos y Vía Crucis, uma cruz construída pelos jesuítas no início do século XVII.

chegamos, finalmente, no mirante do Cerro Aconcágua - do quechua: "Ackon Cahuak" ou "Centinela de Piedra".
é lindo e o vento forte e gelado já nos chega aos ossos. fotografo com os olhos, com a memória e a objetiva.
subiria até o topo.
fomos pelo caminho de Darwin, encontramos a placa de pedra e seguimos para Uspallata, passando pela estrada de pinheiros que, secos nesta época do ano, nos deram outro postal inesperado.

em Uspallata pegamos a ruta 7 em direção a Los Penitentes. a estrada dança entre montanhas cobertas de neve. a paisagem é deliciosamente branca e meus pés estão congelados. fazem -23º.
meu coração opera em frevo. estou novamente diante dos monges, sentados, em silêncio.
meditam.
ainda são os mesmos e...
quanto a mim...
não tenho pensado sobre isso.
sábado, 16 de julho de 2011
Expedição Megahertz - Relato de Viagem parte VII
partimos para Mendoza às 7:30h e temos 1.090km até lá. seguimos pela ruta 7, passando pela província de Córdoba. o país inteiro está enfrentando uma crise de combustível e em todos os postos há filas e filas para o abastecimento de gasolina. precisamos de diesel e tivemos sorte até agora.
está mais frio que ontem. dentro do carro é quentinho, mas lá fora está petrificante.
saindo da província de Córdoba e entrando na de San Luis começamos a subir pela primeira vez em 3.200 km dentro do território argentino. estamos subindo lentamente e já alcançamos 700m do nível do mar.
as cordilheiras começam a fazer sombra lá no horizonte.
dormiremos em Mendoza e teremos nosso vinho. um gole já basta.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Expedição Megahertz - Relato de Viagem parte VI
submergimos do subte e eis que o obelisco rasga o chão e cresce à nossa frente.
fomos ao Palacio del Gobierno, à Catedral onde se encontram os restos do soldado desconhecido, à Plaza de Mayo, ao Mercado de las Luces, ao teatro Colón, Cabildo, à Florida...
tomamos o ônibus amarelo e fomos a San Telmo, El Estaño, Caminito, Madero Este, Puerto Madero, Plaza San Martín, Malba, Palermo, El Solar, Barrio Chino, Museo Larreta, Recoleta...
a arquitetura é lindíssima. e como há monumentos! as construções são imponentes do início ao fim.
há quem reclame da arrogância do portenho. então, devo dizer, talvez seja reflexo da arquitetura da sua cidade.
para apreciar Buenos Aires o ônibus amarelo é uma excelente alternativa. e para se locomover, usar o metrô é a escolha mais inteligente. de carro, com um mapa e GPS poderíamos chegar facilmente a qualquer um desses lugares, mas estacionar em qualquer ponto dessa cidade torna-se uma dor de cabeça sem remédio. o melhor é desprender-se.
com o ônibus amarelo podemos subir e descer quantas vezes quisermos e permanecer o tempo desejado nos lugares escolhidos, podendo sempre tomar o próximo ônibus.
Bs. As. é toda charmosa. linda!
garoou no fim de tarde.
tem uma lua imensa no céu desta noite.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Expedição Megahertz - Relato de Viagem parte V
ficamos soltos pela avenida Cabildo e aproveitamos os Cafés (medialunas que las quiero!)
eu queria levar uma "panaderia argentina" lá pro Shangri-Lá.
está frrrio.
até as 10 da matina temos uma Buenos Aires quase deserta. nada aberto. a cidade acorda às 10:01h e então toma-se o café da manhã, calmamente, para pensar o dia. tive a impressão de que as pessoas aqui não se importam muito com o relógio. e até ele mesmo parece trocar o passo mais lentamente.
a cidade está inteira coberta pela névoa. está frio e eles, vestindo casacos, dizem: "que calor, hoy, no?!" ^^
às sete da noite, luzes acesas, ainda se diz "buenas tardes". ^^
o clima é outro, o ritmo é outro, os hábitos também.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Expedição Megahertz - Relato de Viagem parte IV
o cansaço nos alcançou antes e dormimos em Avellaneda. *
partimos de lá às 8 da matina. até Santa Fé o asfalto é um tapete em linha reta. a gentileza das pessoas e as árvores continuam as mesmas. o Matheus é o nosso leitor oficial de piadas. foi super brother abrindo pra nós o seu livro Proibido para Maiores... Paulo Tadeu fez sucesso por aqui.
seguimos pela Ruta 11 até na altura de Barrancas, passando por cidadezinhas costeiras e cabanas charmosas com telhado de palha em camadas. é uma via alternativa bem conservada e segura. então resolvemos pegar a autopista. bem, estávamos muito bem na Ruta 11: pouquíssimo movimento e espaço suficiente. na autopista tudo ficou diferente: tráfego intenso e muito lento. ok! a M já tinha sido feita e ficamos por lá mesmo.
chegamos em Buenos Aires às 19h local. a cidade ferve. foi um custo achar hotel e o carro precisava permanecer na rua. ocorre que as construções aqui no bairro estão em terrenos muito estreitos e carros ocupam muito espaço. então, lugar de carro é na rua. só tem um pequeno problema: o carro de todo mundo da cidade está estacionado na rua.
mas fomos tão sortudos que... plin! a única vaga disponível estava na porta do nosso hotel e em frente a agência de polícia. isso sem dúvida nos deixou muito tranquilos, apesar de todo mundo da cidade deixar os veículos na rua por eras, sem o menor receio. pra nós, no início, isso foi meio estranho porque não estamos acostumados com certa , digamos, naturalidade.
está super frio e estamos com muito sono.
* aproveitando, tem um filme, Luna de Avellaneda, dirigido por Juan José Campanella que assisti em 2006 e que gostei bastante. trata-se da Avellaneda de Buenos Aires e penso ser uma boa indicação para um pouco de cinema argentino.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Expedição Megahertz - Relato de Viagem parte III. 1
na argentina.
entramos pela província de Formosa e vamos em direção a província de Santa Fé, passando por Resistência e Reconquista.
em solo argentino a paisagem muda completamente, sendo inteira plana, de terreno alagado e vegetação rasteira - gramíneas de um verde dourado lindíssimo. sinto, imediatamente, saudade dos meus pampas gaúchos. é quase como estar lá.
estamos entre 25 e 50 metros do nível do mar. nada de termal, por aqui urubu descansa no pasto.
a rodovia é uma linha reta sem fim. é até estranho pra quem está acostumado com as curvas e autos e baixos do terreno brasileiro. mesmo assim não é monótono, é tudo agradável de ver.
a guarda rodoviária é literalmente rodoviária. socorrem até veículos com problemas. e como são gentis: conversam, perguntam, riem. toda a gente é agradabilíssima e sempre disposta a atender qualquer solicitação.
ainda não sentimos frio. estamos de camiseta e bermuda.
a lua está quase cheia. dormiremos na cidade de Santa Fé e teremos lua cheia amanhã, em Buenos Aires.
entramos pela província de Formosa e vamos em direção a província de Santa Fé, passando por Resistência e Reconquista.
em solo argentino a paisagem muda completamente, sendo inteira plana, de terreno alagado e vegetação rasteira - gramíneas de um verde dourado lindíssimo. sinto, imediatamente, saudade dos meus pampas gaúchos. é quase como estar lá.
estamos entre 25 e 50 metros do nível do mar. nada de termal, por aqui urubu descansa no pasto.
a rodovia é uma linha reta sem fim. é até estranho pra quem está acostumado com as curvas e autos e baixos do terreno brasileiro. mesmo assim não é monótono, é tudo agradável de ver.
a guarda rodoviária é literalmente rodoviária. socorrem até veículos com problemas. e como são gentis: conversam, perguntam, riem. toda a gente é agradabilíssima e sempre disposta a atender qualquer solicitação.
ainda não sentimos frio. estamos de camiseta e bermuda.
a lua está quase cheia. dormiremos na cidade de Santa Fé e teremos lua cheia amanhã, em Buenos Aires.
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