segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Reforma Ortográfica
Nosso Presidente assina hoje o decreto sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Não sei não. Talvez a nova "tranquilidade" seja mais "tranquila" do que a velha "tranqüilidade". Mas tenho a leve impressão de que "voo" não nos trará a mesma sensação de "vôo", assim, sem o pássaro por cima da palavra. E tem outras coisas que ainda estou em dúvida se vieram mesmo pra facilitar.
Bem, já estou me sentindo meio antiga, afinal o discurso começa a ficar diferente. Daqui uns dias, no meio de um deslize, eu terei que dizer:
- É que eu sou do tempo...
É que eu sou do tempo em que se acendia uma lâmpada quando a "idéia" aparecia, e esse acento aí atrás fazia parte da luz. "Ideia" tá me parecendo um pensamento no escuro... coisa do governo com essa mania de apagão.
(Pra quem quiser conferir as mudanças: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2008/09/29/ult4528u453.jhtm )
Não sei não. Talvez a nova "tranquilidade" seja mais "tranquila" do que a velha "tranqüilidade". Mas tenho a leve impressão de que "voo" não nos trará a mesma sensação de "vôo", assim, sem o pássaro por cima da palavra. E tem outras coisas que ainda estou em dúvida se vieram mesmo pra facilitar.
Bem, já estou me sentindo meio antiga, afinal o discurso começa a ficar diferente. Daqui uns dias, no meio de um deslize, eu terei que dizer:
- É que eu sou do tempo...
É que eu sou do tempo em que se acendia uma lâmpada quando a "idéia" aparecia, e esse acento aí atrás fazia parte da luz. "Ideia" tá me parecendo um pensamento no escuro... coisa do governo com essa mania de apagão.
(Pra quem quiser conferir as mudanças: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2008/09/29/ult4528u453.jhtm )
domingo, 28 de setembro de 2008
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
1- acendendo outro incenso
2- olhada para a cara de alguns livros espalhados e tal
3- borboletas azuis
4- chá concentrado de alecrim
5- a cabeça não está tão vazia
6- estalo: beijo com gosto de sangue
7- minha memória não tem salvação
8- a pedra me diz: 'eu sou uma pedra!'
9- Roger engenheiro
10- ainda me lembro de Antonio Carlos Jobim
11- um pouco mais de concentração, concentração...
14- outra poção de alecrim
15- oração pra Santa Laura (foi aconselhamento sério), abro os livros e começo a escrever, enfim.
2- olhada para a cara de alguns livros espalhados e tal
3- borboletas azuis
4- chá concentrado de alecrim
5- a cabeça não está tão vazia
6- estalo: beijo com gosto de sangue
7- minha memória não tem salvação
8- a pedra me diz: 'eu sou uma pedra!'
9- Roger engenheiro
10- ainda me lembro de Antonio Carlos Jobim
11- um pouco mais de concentração, concentração...
14- outra poção de alecrim
15- oração pra Santa Laura (foi aconselhamento sério), abro os livros e começo a escrever, enfim.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Fronteiras?
Territórios não se delimitam, fronteiras não se marcam. Não importa de que estejamos falando, sejam as fronteiras da identidade individual ou cultural, as fronteiras das palavras, da linguagem ou do pensamento, as fronteiras da memória ou do esquecimento, as fronteiras do corpo, do espaço ou do tempo, etc.
Toda construção, seja ela identitária ou de outra ordem, se dá em processos mnemônicos, conscientes ou inconscientes, apreendidos pela memória ou que escapam a ela.
Sem perceber, vamos caminhando num movimento contínuo de sentidos que vão sendo atribuídos pelos balizamentos construídos e (trans)vertidos, sempre de uma possibilidade a outra, entre extremidades e sentidos demarcados por limites que são estabelecidos e rompidos. Todo movimento é ação/reação, é osmótico, reflexo do entorno.
As fronteiras são linhas de sensibilidade que se cruzam, ora copulam, ora se barram e assim vão construindo sua própria história, contada pelos des-re-territórios que detém. Os territórios são compósitos incapazes de se controlar plenamente, pois sempre haverá algo para além dos seus contornos.
As fronteiras são líquidas, dialeticamente construídas.
(os territórios somos nós. até aonde vamos?)
Toda construção, seja ela identitária ou de outra ordem, se dá em processos mnemônicos, conscientes ou inconscientes, apreendidos pela memória ou que escapam a ela.
Sem perceber, vamos caminhando num movimento contínuo de sentidos que vão sendo atribuídos pelos balizamentos construídos e (trans)vertidos, sempre de uma possibilidade a outra, entre extremidades e sentidos demarcados por limites que são estabelecidos e rompidos. Todo movimento é ação/reação, é osmótico, reflexo do entorno.
As fronteiras são linhas de sensibilidade que se cruzam, ora copulam, ora se barram e assim vão construindo sua própria história, contada pelos des-re-territórios que detém. Os territórios são compósitos incapazes de se controlar plenamente, pois sempre haverá algo para além dos seus contornos.
As fronteiras são líquidas, dialeticamente construídas.
(os territórios somos nós. até aonde vamos?)
sábado, 20 de setembro de 2008
Constante
Finalmente chove. É uma chuva sem vento, sem força, mas constante. Assim o prazer se prolonga por mais tempo e me apego ainda mais... porque é constante. Olha, até que é um nome bonito...
Aos vinte sóis postos do mês de setembro do ano de dois mil e oito, interrompendo pesadas noites e tórridos e longos dias de calor, fumaça e sequidão, cai em solo sedento após diversas tentativas, a primeira chuva do período, que por ser longa e vir desacompanhada de ventos fortes e torrente, achou-se por semelhança chamá-la Constante. Assim foi feito.
(Talvez seja este o segredo... de tudo que é, porque quando não é deixa de ser.)
(chegou antes de domingo a tarde, mas as surpresas são sempre emocionantes.)
( chuva caindo é música que se improvisa. estou feliz!)
Aos vinte sóis postos do mês de setembro do ano de dois mil e oito, interrompendo pesadas noites e tórridos e longos dias de calor, fumaça e sequidão, cai em solo sedento após diversas tentativas, a primeira chuva do período, que por ser longa e vir desacompanhada de ventos fortes e torrente, achou-se por semelhança chamá-la Constante. Assim foi feito.
(Talvez seja este o segredo... de tudo que é, porque quando não é deixa de ser.)
(chegou antes de domingo a tarde, mas as surpresas são sempre emocionantes.)
( chuva caindo é música que se improvisa. estou feliz!)
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
0
Não sei, não sei. Tem alguma coisa estranha rolando e nem adianta me perguntar se é pra mais ou pra menos. Não sei, de fato. Tenho andado muito... alguma coisa (ou menos).
Como se não bastasse esquecer tudo, agora já nem penso. Ando com uma mania feia de querer fazer qualquer outra coisa, menos o que devo. Um bom exemplo são os livros. Sinto um prazer enorme em folhear qualquer um que apareça pela frente, só não os teóricos do mestrado. Dia desses eu só queria algo que tivesse figuras, como criança que escolhe o livro pelas cores, e com preguiça de ficar emendando letrinhas faz a leitura da história olhando só os desenhos (já fiz muito isso, mas nos velhos tempos, quando era criança de verdade).
Ontem eu fiquei por horas na livraria olhando pequenos manuais de física, química, biologia, história do Brasil, arquitetura e até um livro de piratologia (é, piratologia).
Hoje tomei uma decisão drástica. Chega dessa falta de senso com o dever, oras!
Me coloquei sentada numa cadeira em frente a um dos livros que DEVO ler e daqui eu não sairia sem escrever umas boas linhas para a dissertação. Até que eu fui obediente, mas... SHAME ON YOU!
O sol subiu, manteve-se a pino, declinou e agora já foi dormir. Se me perguntar dos matizes de cores que o artista usou na obra que estampa a capa do livro eu conto tudo pra você...
(sete incensos jazem na janela. quando vai ser a hora de acordar?)
Como se não bastasse esquecer tudo, agora já nem penso. Ando com uma mania feia de querer fazer qualquer outra coisa, menos o que devo. Um bom exemplo são os livros. Sinto um prazer enorme em folhear qualquer um que apareça pela frente, só não os teóricos do mestrado. Dia desses eu só queria algo que tivesse figuras, como criança que escolhe o livro pelas cores, e com preguiça de ficar emendando letrinhas faz a leitura da história olhando só os desenhos (já fiz muito isso, mas nos velhos tempos, quando era criança de verdade).
Ontem eu fiquei por horas na livraria olhando pequenos manuais de física, química, biologia, história do Brasil, arquitetura e até um livro de piratologia (é, piratologia).
Hoje tomei uma decisão drástica. Chega dessa falta de senso com o dever, oras!
Me coloquei sentada numa cadeira em frente a um dos livros que DEVO ler e daqui eu não sairia sem escrever umas boas linhas para a dissertação. Até que eu fui obediente, mas... SHAME ON YOU!
O sol subiu, manteve-se a pino, declinou e agora já foi dormir. Se me perguntar dos matizes de cores que o artista usou na obra que estampa a capa do livro eu conto tudo pra você...
(sete incensos jazem na janela. quando vai ser a hora de acordar?)
sábado, 13 de setembro de 2008
Eu moro num fim de rua. Minha casa fica na parte baixa, onde a rua termina. É no meu portão que ela morre... ou nasce.
A rua é uma linha reta ladeada por árvores médias, formando um corredor que sobe e afunila. Daqui, olhando lá em cima, a fronteira é de asfalto e céu.
E é desse ângulo que eu vejo a lua, toda cheia nascendo lá na fronteira. Ela surge no meu pedaço de horizonte, justo no meu pedaço de horizonte. Quando isso acontece, a impressão de quase sempre, no início, é de que ela vai se soltar e rolar ladeira abaixo. E eu teria a lua na concha da minha rua em frente ao portão. Mas ela continua eternamente firme, enorme, subindo, eclipsada ou não, cheia ou não, enquanto a gente gira pra direita, enquanto eu continuo sobre a mesma superfície, olhando, lívida, imóvel, pregada num risco qualquer do chão.
A rua é uma linha reta ladeada por árvores médias, formando um corredor que sobe e afunila. Daqui, olhando lá em cima, a fronteira é de asfalto e céu.
E é desse ângulo que eu vejo a lua, toda cheia nascendo lá na fronteira. Ela surge no meu pedaço de horizonte, justo no meu pedaço de horizonte. Quando isso acontece, a impressão de quase sempre, no início, é de que ela vai se soltar e rolar ladeira abaixo. E eu teria a lua na concha da minha rua em frente ao portão. Mas ela continua eternamente firme, enorme, subindo, eclipsada ou não, cheia ou não, enquanto a gente gira pra direita, enquanto eu continuo sobre a mesma superfície, olhando, lívida, imóvel, pregada num risco qualquer do chão.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
DAS DESCRIÇÕES
- E aí, como foi, me conta?!
- Pô velho, cê não faz idéia... foi muito louco... mó viagem, cara... cê tem que ver... a sacada do cara é demais... ele é fudidão pra caralho... muito louco mesmo... pô! foi lindo pacas... aí... cê tem que ver... quando cê for ver, cê vai sacar logo de cara tudo o que eu tô te falando... é mó onda...pu-tiz gri-la!... pirei nele, meu... boto fé, boto fé... tipo... ... ... cê tá entendendo?
- (ô.ô)... ahãn...
- Pô velho, cê não faz idéia... foi muito louco... mó viagem, cara... cê tem que ver... a sacada do cara é demais... ele é fudidão pra caralho... muito louco mesmo... pô! foi lindo pacas... aí... cê tem que ver... quando cê for ver, cê vai sacar logo de cara tudo o que eu tô te falando... é mó onda...pu-tiz gri-la!... pirei nele, meu... boto fé, boto fé... tipo... ... ... cê tá entendendo?
- (ô.ô)... ahãn...
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Sobre o Tempo
Foi assim quando passei pelo retorno de Saturno. É você parado e o tempo correndo, é um lugar seco e seguro e a tempestade lá fora, é urgência e é calma, noite e dia, inverno e verão.
(De que lado você está?)
Tudo o que é, de repente, já não mais...
E tudo sempre volta, igual e ao mesmo tempo diferente.
(O tempo continua passando e isso aqui já envelheceu. O novo sempre estará por chegar.)
(De que lado você está?)
Tudo o que é, de repente, já não mais...
E tudo sempre volta, igual e ao mesmo tempo diferente.
(O tempo continua passando e isso aqui já envelheceu. O novo sempre estará por chegar.)
sábado, 6 de setembro de 2008
FRAGMENTOS - por Maurício Oliveira
FRAGMENTOS
por Maurício Oliveira (MT)
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As imagens que serão expostas constituem um grupo diversificado de fotos urbanas e de fotos de natureza selvagem. A característica que todas têm em comum é a sensação clara de serem “fragmentos de algo muito maior”. Todas têm o poder de sugerir que existem elementos que escancaram a nossa pequenez diante de um mundo de características monumentais. E, em função de nosso cotidiano, acabamos ignorando essa percepção.
.
Período: 06/09 a 05/10 - Local: Galeria de Artes
SESC ARSENAL - Cuiabá
SESC ARSENAL - Cuiabá
Terça a Sexta-feira: 14h às 21h
Sáb., Dom. e Feriados: 16h às 20h
Entrada Franca
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
abraço engenheiro
De pé, na parte mais escura do jardim, olhando a rua, eu recebo um abraço. Tem um vento tão bom nesta noite! O vento que chega se encosta todo em mim. A sensação é a mesma daqueles abraços de corpo inteiro, onde a gente toma consciência do nosso corpo e do corpo do outro dos pés à cabeça. É um abraço que descansa, que dá prazer. Só agora percebo quanto tempo faz que não me entrego a um abraço demorado, desses abraços cheios de engenho onde a gente se encaixa tão bem no outro que não tem mais vontade de sair. Desses abraços que nos deixam assim... zen, que nos enchem de calma de uma tal maneira que a gente até se esquece, por um momento, de onde veio e pra onde tem que ir...
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
catando post lá de baixo, acho que é saudade
Ai, que saudade de ti!
Lá em Poa tudo é sempre tão tri...
E me lembro do pôr-do-sol no Guaíba visto da cúpula da Casa de Cultura Mario Quintana em tardes fugidas cheias de solidão, sob o céu de Porto Alegre...
O sol se esfria no Guaíba. Quando encosta faz tsssssssss... ^^
O clip é da Pública, banda de lá. Mostra alguns pontos da 'Londres' brasileira. O som da galera é muito bom.
Lá em Poa tudo é sempre tão tri...
E me lembro do pôr-do-sol no Guaíba visto da cúpula da Casa de Cultura Mario Quintana em tardes fugidas cheias de solidão, sob o céu de Porto Alegre...
O sol se esfria no Guaíba. Quando encosta faz tsssssssss... ^^
O clip é da Pública, banda de lá. Mostra alguns pontos da 'Londres' brasileira. O som da galera é muito bom.
domingo, 31 de agosto de 2008
Desespero
Tomba sobre ela esse vazio mórbido das horas cinzentas. É como a angústia de ter que abandonar um filho. Não sabe o caminho da direita, não sabe o da esquerda, não tem pés para pisar o que ficou para trás, nem pernas para o que está adiante. Não tem dor, não tem voz, é paciente e diz pouco, nada vai muito além de um sussurro. Dessa infinidade de pequenas janelas que se penduram no seu vazio, abre-as todas, mas uma cena diferente se revela em cada uma delas.
(No espelho há um corpo inerte, frio e duro.)
(No espelho há um corpo inerte, frio e duro.)
sábado, 30 de agosto de 2008
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
domingo, 24 de agosto de 2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
sábado, 16 de agosto de 2008
f

_mããããããe... vem ver o que eu achei!
_ã?... ai... (lá vem bomba.)
_por que é que eles estão assim?
_(não falei?!) bem... er... é que... deixa ver... assim...ain...
_eu sei! eu sei!
_óò!
_ é que esse aqui tava cansado, então esse resolveu carregar ele um pouco.
_... É!... É SIM!... É!... ^^
_lindo, né?
_muito...^^
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Gosto do pôr-do-sol, de fazer trilha, de árvores, de ver a chuva caindo, música, ler, escrever e de Quintana. Sonho com castelos, cavaleiros medievais, bandolins e constelações. Vou ao cinema e choro nas cenas de amor. Não assisto telejornais, a violência me deprime. Prezo um pássaro em vôo, uma Amazônia selvagem e pessoas verdadeiras. Quero conhecer Galápagos, ver o deserto e ir para a Patagônia. Gosto de poesia e de cabelos compridos. Gosto de línguas, de mitologia, de palavras e cabelos coloridos. Um banho de cachoeira e um abraço apertado acalmam meu espírito. Acredito na lua e em revoluções. Torço pela paz.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
das coisas que se escondem dentro do nada
nada importa, definitivamente.
nada, definitivamente, importa.
nada tem sempre grande importância.
nada, definitivamente, importa.
nada tem sempre grande importância.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Sabe, Honey
me sinto cansada, não sei o que fazer com as coisas quebradas. Tento abandoná-las, mas não se desprendem. Acabam me irritando pra valer. O meu nada transborda de metades.
Sabe, Honey
me sinto tão cansada, queria marchar o tempo de volta. Qualquer lugar do princípio serviria para alguns desenhos em textura fina. Talvez eu escolhesse outras palavras ou de repente acendesse a luz.
Sabe, Honey
o meu pensamento não pára, eu sonho acordada e ainda vejo meninos azuis. O tempo cresce e eu diminuo.
Honey,
eu vou aprender a linguagem dos sinais e um dia eu conto tudo pra você num único gesto.
É pena que você não enxergue até esse lado da rua.
me sinto cansada, não sei o que fazer com as coisas quebradas. Tento abandoná-las, mas não se desprendem. Acabam me irritando pra valer. O meu nada transborda de metades.
Sabe, Honey
me sinto tão cansada, queria marchar o tempo de volta. Qualquer lugar do princípio serviria para alguns desenhos em textura fina. Talvez eu escolhesse outras palavras ou de repente acendesse a luz.
Sabe, Honey
o meu pensamento não pára, eu sonho acordada e ainda vejo meninos azuis. O tempo cresce e eu diminuo.
Honey,
eu vou aprender a linguagem dos sinais e um dia eu conto tudo pra você num único gesto.
É pena que você não enxergue até esse lado da rua.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Inteligente
pra rir muito http://www.catarro.blogspot.com/
um dos blogs mais lidos.
eu me diviiiiiiiiirto no Catarro Verde.
um dos blogs mais lidos.
eu me diviiiiiiiiirto no Catarro Verde.
saco!
um monte de 'tarefa da escola' pra fazer e eu não consigo escrever nem uma puta linha que preste. mais irresponsável do que ando, impossível. tudo está ficando pra depois, os prazos já venceram. isso me acaba, mas sei lá o que se passa.
(eu falando palavrões? nossa! acabei me esquecendo que tenho cara de menina que não fala essas coisas... ^^)
.
.
bosta!
um monte de 'tarefa da escola' pra fazer e eu não consigo escrever nem uma puta linha que preste. mais irresponsável do que ando, impossível. tudo está ficando pra depois, os prazos já venceram. isso me acaba, mas sei lá o que se passa.
(eu falando palavrões? nossa! acabei me esquecendo que tenho cara de menina que não fala essas coisas... ^^)
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bosta!
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
fluxo
Terça-feira, dia quente num inverno de céu sem cor. A única coisa sinestésica é o aroma de fumaça cobrindo o jardim. Nada de vaidade; pela pátria, pelo verbo, pela coragem, avante! Grita com o dedo em riste minha calma. Tudo mentira. O pensamento se adianta, e olhando de lado, mãos dadas com o vento, sussurra: pelo verbo! palavras são ruínas ou recompensas futuras; eternas... não escapamos delas... O que faço? Não conheço todas. Vou saboreando algumas de cada vez, e a minha calma é lenta demais, não consegue nunca passar por mim. Tenho minhas fomes, impulsos, e vivo sonhando. Penso adquirir poderes sobrenaturais: inventar moral, uma língua nova, justiça salomônica. Sonho sempre com um universo fantástico, atravesso paredes, influencio pensamentos, determino vontades (que as de todos sejam sempre boas), beijo o herói da minha história favorita, morro de amor, nenhum mendigo pela rua, saudações à sabedoria, fuga aos tiranos, o mundo é salvo. Quando mudo de conto de fadas, o herói embora outro é sempre o mesmo. A vida recomeça. Vai! E olho as aparências do mundo. Podre! Mas quê?... Continuo sonhando. Espero uma hora nova, menos severa. Que minha calma me alcance, que o aroma da liberdade seja nosso. Prossigamos.
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http://www.youtube.com/watch?v=c9j_RZDqYc4
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http://www.youtube.com/watch?v=c9j_RZDqYc4
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
"Uma palavra não diz nada
e ao mesmo tempo esconde tudo
(...)
um olhar não diz nada
e ao mesmo tempo diz tudo..."
Una palabra é uma composição do cubano Carlos Varela. Eu a ouvi pela primeira vez assistindo ao filme Chamas da Vingança de Tony Scott que tem como ator principal Denzel Washington e há também a participação de dois atores brasileiros (coisa que me dá satisfação em ver), o Gero Camilo que fez Carandiru, Cidade de Deus e Bicho de Sete Cabeças entre outros e o Charles Paraventi que também está em Cidade de Deus entre outros. Digam o que disserem eu gostei do filme, mas uma das partes mais lindas foi ouvir essa música. A letra é mais que maravilhosa, diz tanto... E nela dá pra perceber o quanto a voz por si só já é extremamente musical, o instrumento é mero acompanhante.
Tomei a liberdade de colocar em português esses vesos aí em cima, mas são só metade do que ela diz.
Não consegui encontrar no youtube um vídeo com o Carlos Varela cantando (acho que não procurei direito), só mesmo esse cara fazendo onda. É só pra ouvir, não precisa ver, aliás, só ouvir sem ver dá mais peso a ela . Vale a pena.
e ao mesmo tempo esconde tudo
(...)
um olhar não diz nada
e ao mesmo tempo diz tudo..."
Una palabra é uma composição do cubano Carlos Varela. Eu a ouvi pela primeira vez assistindo ao filme Chamas da Vingança de Tony Scott que tem como ator principal Denzel Washington e há também a participação de dois atores brasileiros (coisa que me dá satisfação em ver), o Gero Camilo que fez Carandiru, Cidade de Deus e Bicho de Sete Cabeças entre outros e o Charles Paraventi que também está em Cidade de Deus entre outros. Digam o que disserem eu gostei do filme, mas uma das partes mais lindas foi ouvir essa música. A letra é mais que maravilhosa, diz tanto... E nela dá pra perceber o quanto a voz por si só já é extremamente musical, o instrumento é mero acompanhante.
Tomei a liberdade de colocar em português esses vesos aí em cima, mas são só metade do que ela diz.
Não consegui encontrar no youtube um vídeo com o Carlos Varela cantando (acho que não procurei direito), só mesmo esse cara fazendo onda. É só pra ouvir, não precisa ver, aliás, só ouvir sem ver dá mais peso a ela . Vale a pena.
domingo, 3 de agosto de 2008
o seu nome eu tenho na ponta da língua. eu sei de cor. eu sei o gosto que ele tem. em cada palavra que eu pronuncio ele está impresso. é ele que me nomeia, que me demora, que me retém.
pela língua eu respiro, como os inforcados. esse gosto me impacienta. não sei se faz mal ou bem.
(está chovendo lá fora - lá fora)
pela língua eu respiro, como os inforcados. esse gosto me impacienta. não sei se faz mal ou bem.
(está chovendo lá fora - lá fora)
sábado, 2 de agosto de 2008
Sobre essa beleza imposta como padrão e que atormenta as mulheres pela impossibilidade de não serem quem realmente são.
http://br.youtube.com/watch?v=iYhCn0jf46U
http://br.youtube.com/watch?v=iYhCn0jf46U
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Reservo direitos autorais
O homem ainda vai inventar um objeto perfeito que, depois de inventado não precisará de auxílio de qualquer outro tipo de tecnologia para funcionar. É um objeto que faz a gente viajar, ver coisas de maneiras diferentes e conhecer lugares sempre novos mesmo que velhos.
E eu o manusearei da forma que eu quiser e precisar sem nenhum incômodo. Aí, não precisarei mais possuir um aparelho de dvd, ir até a locadora locar um filme, chegar em casa, conectar o aparelho na eletricidade (inventaram a eletricidade só pra isso) e colocar o disquinho dentro desse aparelho, pegar o controle remoto, descobrir que algo não quer funcionar, ficar nervosa em ter que deixar para o dia seguinte (afinal, foi um malabarismo com os compromissos do dia para conseguir um tempinho para ir à locadora, locar o filme, ir para casa e ainda ter no mínimo duas horas disponíveis para assistí-lo) , pois haverá a necessidade de contactar um técnico para ir até a minha casa e descobrir o problema do aparelho, ou do controle remoto, ou da TV, ou da eletricidade...
e precisarei arrumar outro tempo para ver o filme. Isso se o problema for simples e eu não tiver que levar algo para ser concertado fora de casa, atrasando por mais alguns dias a apresentação do filme escolhido.
Bem, nesse meio tempo eu já tive que devolver o filme para não pagar multa na locadora. E pagar outra locação do mesmo filme nem pensar!
Mas como eu ia dizendo, ainda vão inventar o objeto perfeito que poderá me acompanhar onde quer que eu vá, funcionando sempre que eu o abro, e eu nem vou precisar ligá-lo em nada, não precisarei pagar locação ou multa por atraso de entrega, não perderei tempo indo até a locadora para isso. Esse objeto funcionará sem controle remoto e nunca precisarei chamar o técnico. Esse objeto perfeito se chamará “livro”.
E eu o manusearei da forma que eu quiser e precisar sem nenhum incômodo. Aí, não precisarei mais possuir um aparelho de dvd, ir até a locadora locar um filme, chegar em casa, conectar o aparelho na eletricidade (inventaram a eletricidade só pra isso) e colocar o disquinho dentro desse aparelho, pegar o controle remoto, descobrir que algo não quer funcionar, ficar nervosa em ter que deixar para o dia seguinte (afinal, foi um malabarismo com os compromissos do dia para conseguir um tempinho para ir à locadora, locar o filme, ir para casa e ainda ter no mínimo duas horas disponíveis para assistí-lo) , pois haverá a necessidade de contactar um técnico para ir até a minha casa e descobrir o problema do aparelho, ou do controle remoto, ou da TV, ou da eletricidade...
e precisarei arrumar outro tempo para ver o filme. Isso se o problema for simples e eu não tiver que levar algo para ser concertado fora de casa, atrasando por mais alguns dias a apresentação do filme escolhido.
Bem, nesse meio tempo eu já tive que devolver o filme para não pagar multa na locadora. E pagar outra locação do mesmo filme nem pensar!
Mas como eu ia dizendo, ainda vão inventar o objeto perfeito que poderá me acompanhar onde quer que eu vá, funcionando sempre que eu o abro, e eu nem vou precisar ligá-lo em nada, não precisarei pagar locação ou multa por atraso de entrega, não perderei tempo indo até a locadora para isso. Esse objeto funcionará sem controle remoto e nunca precisarei chamar o técnico. Esse objeto perfeito se chamará “livro”.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
quinta-feira, 24 de julho de 2008
"Fundação da poluição
Os pigmeus, que têm corpo pequeno e memória grande, recordam os tempos de antes do tempo, quando a terra estava acima do céu.
Da terra caía sobre o céu uma chuva incessante de pó e de lixo, que sujava a casa dos deuses e lhes envenenava a comida.
Os deuses estavam, havia uma eternidade, suportando essa descarga sebosa, quando sua paciência acabou.
Enviaram um raio, que partiu a terra em dois. E através da terra aberta lançaram para alto o sol, a lua e as estrelas, e por esse caminho subiram eles também. E lá em cima, distante de nós, a salvo de nós, os deuses fundaram seu novo reino.
Desde então, estamos embaixo."
(Espejos. Una historia casi universal - Eduardo Galeano)
Os pigmeus, que têm corpo pequeno e memória grande, recordam os tempos de antes do tempo, quando a terra estava acima do céu.
Da terra caía sobre o céu uma chuva incessante de pó e de lixo, que sujava a casa dos deuses e lhes envenenava a comida.
Os deuses estavam, havia uma eternidade, suportando essa descarga sebosa, quando sua paciência acabou.
Enviaram um raio, que partiu a terra em dois. E através da terra aberta lançaram para alto o sol, a lua e as estrelas, e por esse caminho subiram eles também. E lá em cima, distante de nós, a salvo de nós, os deuses fundaram seu novo reino.
Desde então, estamos embaixo."
(Espejos. Una historia casi universal - Eduardo Galeano)
terça-feira, 22 de julho de 2008
Confluência dos sentidos
segunda-feira, 21 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
sábado, 19 de julho de 2008
sereias invisíveis
"As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias invisíveis, sensualidades incorporadas. Estremeço se dizem bem...
... Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar..."
(Bernardo Soares)
Vou sair por aí. Quero encontrar um espaço propício onde eu possa abrir a porta e deixar sair os meus fantasmas.
Preciso escrever.
É pela palavra que eu 'organizo' o meu caos, os meus fantasmas, isso que me persegue. É pela palavra que o meu maior fantasma ganha corpo e o olho de vidro de quem eu amarei.
O desequilíbrio é a meta. O equilíbrio não me diz nada.
Nada tem muita graça se os meus fantasmas não estiverem soltos.
Preciso escrever.
É pela palavra que eu 'organizo' o meu caos, os meus fantasmas, isso que me persegue. É pela palavra que o meu maior fantasma ganha corpo e o olho de vidro de quem eu amarei.
O desequilíbrio é a meta. O equilíbrio não me diz nada.
Nada tem muita graça se os meus fantasmas não estiverem soltos.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Acho que vou tirar a roupa. Está muito frio aqui, mas tem alguma coisa me incomodando. Tem alguma coisa presa no meu corpo que acaba me dando essa sensação estranha de sufocamento. Quero abandonar, me despojar do que me aperta, do que me detém.
Não me importo de estar nua, prefiro estar nua. Se esse frio se intensifica, me cubro de palavras
e tudo fica bem.
(Minha pele é papel bom de escrever.)
Não me importo de estar nua, prefiro estar nua. Se esse frio se intensifica, me cubro de palavras
e tudo fica bem.
(Minha pele é papel bom de escrever.)
quinta-feira, 17 de julho de 2008
eu e a TV
Péssima idéia! Alguns minutos na frente da TV e saio deprimidíssima.
Ouço o de sempre, que eu não sou lá grandes coisas e que minha vida é uma ... (me perdoem a intenção da palavra feia). A TV me diz que eu não tenho aquele carro, eu não serei como a mulher que estava dentro dele. Eu não tenho o cartão de crédito daquele banco, eu não sou especial. Eu não lavo os meus cabelos com aquele xampu, os meus cabelos não são sedosos e brilhantes como os da atriz da propaganda, eu não serei nenhuma atriz. Eu nunca serei BOA, não sirvo cerveja. Eu não fumo, minha vida não é e nem vai ser uma aventura. Eu não uso as roupas daquela marca, estou lamentavelmente fora de moda...
...
Ouço o de sempre, que eu não sou lá grandes coisas e que minha vida é uma ... (me perdoem a intenção da palavra feia). A TV me diz que eu não tenho aquele carro, eu não serei como a mulher que estava dentro dele. Eu não tenho o cartão de crédito daquele banco, eu não sou especial. Eu não lavo os meus cabelos com aquele xampu, os meus cabelos não são sedosos e brilhantes como os da atriz da propaganda, eu não serei nenhuma atriz. Eu nunca serei BOA, não sirvo cerveja. Eu não fumo, minha vida não é e nem vai ser uma aventura. Eu não uso as roupas daquela marca, estou lamentavelmente fora de moda...
...
quarta-feira, 16 de julho de 2008
dessa outra solidão de estar só
Talvez seja isso. Talvez seja essa, essa sozinhidão.
É como ser eremita de pedras secas que já moraram no mar.
É como ser eremita de pedras secas que já moraram no mar.
terça-feira, 15 de julho de 2008
da solidão de estar só
"No deserto estão secas
as pedras que no mar se molhavam
a semelhança confunde o eremita que solitário demais
passou o tempo entregando-se à solitária memória
aqui a pedra seca
para o eremita não perdeu
a qualidade húmida de poder
ter estado ao pé do mar."
(Fiama Hasse Paes Brandão)
as pedras que no mar se molhavam
a semelhança confunde o eremita que solitário demais
passou o tempo entregando-se à solitária memória
aqui a pedra seca
para o eremita não perdeu
a qualidade húmida de poder
ter estado ao pé do mar."
(Fiama Hasse Paes Brandão)
http://br.youtube.com/watch?v=-HTqBd4UAhw
(da poetisa portuguesa Fiama Hasse, musicado para violoncelo por Adriana Calcanhotto)
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Livros para ler, um dia...
Durante palestra ministrada em um encontro de literatura na UFRJ, a escritora angolana Maria Celestina Cruz Fernandes contou, em breve relato, a história do seu lugar. Angola, um país da África Austral, maltratado primeiro pela colonização portuguesa de 1484 até o ano do meu nascimento, passando por uma guerra de libertação e auto-afirmação onde muitas atrocidades foram cometidas. Isso até bem poucos dias. Por muito tempo as pessoas conseguiam fazer apenas uma refeição por dia em virtude de uma crise econômica sem precedentes, além de um índice de analfabetismo alcançando a casa dos 85%. Dá pra imaginar isso?
E dentro da história de sofrimento e bravura de um povo castigado no tempo não dá pra parar de pensar numa frase dita por Maria Celestina: “Assim que a economia do país começou a reagir e as pessoas tinham dinheiro para comprar comida, elas começaram a comprar comida e livros desesperadamente. Tinham medo de que tudo aquilo pudesse acabar. Mesmo os que não sabiam ler adquiriam livros na esperança de um dia poder lê-los...”
Não há o que dizer depois disso.
Quem dera fosse essa a fome de todo mundo...
Rio de Janeiro, 08 de julho de 2008.
E dentro da história de sofrimento e bravura de um povo castigado no tempo não dá pra parar de pensar numa frase dita por Maria Celestina: “Assim que a economia do país começou a reagir e as pessoas tinham dinheiro para comprar comida, elas começaram a comprar comida e livros desesperadamente. Tinham medo de que tudo aquilo pudesse acabar. Mesmo os que não sabiam ler adquiriam livros na esperança de um dia poder lê-los...”
Não há o que dizer depois disso.
Quem dera fosse essa a fome de todo mundo...
Rio de Janeiro, 08 de julho de 2008.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Canibalismo
Não dá pra sair por aí comendo qualquer um. A gente deve comer somente quem verdadeiramente nos interessa, pois o ato de devorar o outro nos torna repletos dele. Ele passa a morar em nós.
(Não é à toa que os canibais devoravam seus mais poderosos inimigos. Havia algo tão especial neles que os tornavam objeto de desejo do outro.)
(Não é à toa que os canibais devoravam seus mais poderosos inimigos. Havia algo tão especial neles que os tornavam objeto de desejo do outro.)
sábado, 5 de julho de 2008
"Vi minha vida se desenrolar diante de mim como uma figueira de um conto que havia lido. Da ponta de cada ramo, um gordo figo roxo acenava e me seduzia com um futuro maravilhoso. Um figo significava um marido e um lar feliz com filhos, outro era uma poetiza famosa, outro uma professora, outro era Esther Greenwood, a surpreendente editora, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro Constantin e Sócrates e Átila, um bando de amantes com nomes esquisitos e profissões originais, outro ainda era uma campeã olímpica, e acima de todos esses figos havia muitos outros que eu não conseguia entender. Vi-me sentada sob essa figueira, morrendo de fome, só porque não conseguia decidir qual figo escolheria. Queria-os todos, e escolher um siginificava perder o resto. Incapaz de me decidir, os figos começavam a murchar e apodrecer, e um a um caiam no chão a meus pés."
Trecho do livro A Redoma de Vidro de Sylvia Plath.
Trecho do livro A Redoma de Vidro de Sylvia Plath.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Cordel
O poeta me disse assim:
"Vou
Vou pregar na parede
Um pedaço de céu
...
Vou buscar outra constelação
Entre a noite que vai
E o dia que vem
..."
Fiquei pensando se conseguiria medir o peso de cada frase sobre mim. Fechei os olhos e me lembrei do pedaço de céu que sempre colo na parede e tentei imaginar uma maneira de tatuar no meu braço um risco de mar...
Olhei para o Lirinha em cima do palco sob luzes táteis. Um corpo magro de gestos grandes ocupando um lugar no espaço maior do que aquele que se supõe. Acho que é porque as idéias são fortes que ele gesticula tão aumentado.
Na falta de uma rolleyflex mirei com a minha Sony. Será que uma 'sonizinha' moderna diminui o peso que se quer dar ao ato? Bem, como estava dizendo, empunhei a minha Sony, mirei e comecei a disparar flashes numa tentativa de reter o acontecimento. Mas eu não queria só algumas imagens congeladas, eu queria aquela imagem. Aquela imagem que suga o momento de tal maneira que faz com ele fique para sempre no gerúndio.
... encurvado.
... retesado.
... de braços abertos.
... apontando para o alto.
... cantando, declamando, tocando.
... luzes.
... tambores.
... chocalhos.
... palavras - Era o que eu queria. Eu queria fotografar as palavras.
Uma bandeira erguida pela galera e baquetas partidas no peito de um tambor. Eu pulo bem alto, sou forte como um guerreiro das tribos do norte vestido com seu colar de sementes e só.
Meu desejo não tem nada com as grandes coisas, mas com aquelas que são insignificantes, que moram no chão. Um dia o Manoel me disse que as coisas que não valem nada tem muito valor.
Acreditei pra sempre.
"...
Vou
Vou riscar no meu braço
Um pedaço de mar...
...
Eu canto aqui
Eu olho daqui
Eu ando aqui
Eu vivo
Canto aqui
Eu grito aqui
Eu sonho aqui
Eu morro...
(morro)"
"Vou
Vou pregar na parede
Um pedaço de céu
...
Vou buscar outra constelação
Entre a noite que vai
E o dia que vem
..."
Fiquei pensando se conseguiria medir o peso de cada frase sobre mim. Fechei os olhos e me lembrei do pedaço de céu que sempre colo na parede e tentei imaginar uma maneira de tatuar no meu braço um risco de mar...
Olhei para o Lirinha em cima do palco sob luzes táteis. Um corpo magro de gestos grandes ocupando um lugar no espaço maior do que aquele que se supõe. Acho que é porque as idéias são fortes que ele gesticula tão aumentado.
Na falta de uma rolleyflex mirei com a minha Sony. Será que uma 'sonizinha' moderna diminui o peso que se quer dar ao ato? Bem, como estava dizendo, empunhei a minha Sony, mirei e comecei a disparar flashes numa tentativa de reter o acontecimento. Mas eu não queria só algumas imagens congeladas, eu queria aquela imagem. Aquela imagem que suga o momento de tal maneira que faz com ele fique para sempre no gerúndio.
... encurvado.
... retesado.
... de braços abertos.
... apontando para o alto.
... cantando, declamando, tocando.
... luzes.
... tambores.
... chocalhos.
... palavras - Era o que eu queria. Eu queria fotografar as palavras.
Uma bandeira erguida pela galera e baquetas partidas no peito de um tambor. Eu pulo bem alto, sou forte como um guerreiro das tribos do norte vestido com seu colar de sementes e só.
Meu desejo não tem nada com as grandes coisas, mas com aquelas que são insignificantes, que moram no chão. Um dia o Manoel me disse que as coisas que não valem nada tem muito valor.
Acreditei pra sempre.
"...
Vou
Vou riscar no meu braço
Um pedaço de mar...
...
Eu canto aqui
Eu olho daqui
Eu ando aqui
Eu vivo
Canto aqui
Eu grito aqui
Eu sonho aqui
Eu morro...
(morro)"
domingo, 29 de junho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
quarta-feira, 25 de junho de 2008
domingo, 22 de junho de 2008
QUAIS SÃO OS SEUS HERÓIS?
Uma fuçada rápida no youtube e olha só...
Pra ver e ouvir duas vezes.
http://br.youtube.com/watch?v=7oXis0HZPz0&feature=related
Pra ver e ouvir duas vezes.
http://br.youtube.com/watch?v=7oXis0HZPz0&feature=related
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Que lua! Que lua!
Meus deuses!
A lua está insuportavelmente bela. Não queria nem olhar, mas ela me cola pavorosamente à janela. E dá uma saudade de não sei o que, uma tristeza que não sei por que, uma 'tonteria' que não entendo do que.
Às 18:30, ainda próxima, era um adjetivo bruto que me arrebentava por dentro. Agora, já mais no alto, é um adjetivo exato que deixei cair da boca não sei onde.
(meu coração bate acelerado)
A lua está insuportavelmente bela. Não queria nem olhar, mas ela me cola pavorosamente à janela. E dá uma saudade de não sei o que, uma tristeza que não sei por que, uma 'tonteria' que não entendo do que.
Às 18:30, ainda próxima, era um adjetivo bruto que me arrebentava por dentro. Agora, já mais no alto, é um adjetivo exato que deixei cair da boca não sei onde.
(meu coração bate acelerado)
terça-feira, 17 de junho de 2008
domingo, 15 de junho de 2008
HOMEM da vida toda
sexta-feira, 13 de junho de 2008
quinta-feira, 12 de junho de 2008
por Antônio Sodré
físsil
I
“ta” tudo tão “difácil”
“ta” tudo tão difícil
tudo seria mais fácil
se não fosse
assim tão físsil!
II
é tão cruel a espada,
é tão monstruoso o míssil
tudo seria mais fácil
se não fosse
assim tão físsil!
III
ó! Doce manga dócil!
ó! duro osso fóssil!
I
“ta” tudo tão “difácil”
“ta” tudo tão difícil
tudo seria mais fácil
se não fosse
assim tão físsil!
II
é tão cruel a espada,
é tão monstruoso o míssil
tudo seria mais fácil
se não fosse
assim tão físsil!
III
ó! Doce manga dócil!
ó! duro osso fóssil!
tudo seria mais fácil
se não fosse
assim tão físsil!
se não fosse
assim tão físsil!
domingo, 1 de junho de 2008
sábado, 31 de maio de 2008
Sob livros desaparecidos e alguns ácaros
Entre um assunto e outro, entre um silêncio e outro, um rabisco, outro rabisco. Lápis e papel também são boa companhia em boa companhia. Não me lembro de tudo que conversamos. Acho que falamos em café, mas de plástico.
A minha satisfação não sabia que estaria para ser raptada dentro de 5 segundos e mais ou menos um pouco (não entendo porque me abalo).
Fiquei pensando então, em qual teria sido o meu melhor crepúsculo, a melhor leitura sem sapatos, de quais outonos tenho folhas guardadas, meu último inverno de pés gelados, o abraço mais triste e apertado...
Enumero algumas sensações e outro fato:
1 - Todas as coisas são mudas;
2 - Nenhum vento entra e ninguém sai, somente a sombra que rasteja não pode ser detida;
3 - Um ouvido paciente é capaz de ouvir o silêncio em toda a sua profundidade e extensão.
Escorrego na cadeira e olho o alto para onde lanço bolinhas de pensamento rasgado.
Fico cuspindo para o teto acertando sempre o mesmo lugar, como um daqueles personagens de Gogol.
(me esqueço no tempo como uma pedra)
A minha satisfação não sabia que estaria para ser raptada dentro de 5 segundos e mais ou menos um pouco (não entendo porque me abalo).
Fiquei pensando então, em qual teria sido o meu melhor crepúsculo, a melhor leitura sem sapatos, de quais outonos tenho folhas guardadas, meu último inverno de pés gelados, o abraço mais triste e apertado...
Enumero algumas sensações e outro fato:
1 - Todas as coisas são mudas;
2 - Nenhum vento entra e ninguém sai, somente a sombra que rasteja não pode ser detida;
3 - Um ouvido paciente é capaz de ouvir o silêncio em toda a sua profundidade e extensão.
Escorrego na cadeira e olho o alto para onde lanço bolinhas de pensamento rasgado.
Fico cuspindo para o teto acertando sempre o mesmo lugar, como um daqueles personagens de Gogol.
(me esqueço no tempo como uma pedra)
domingo, 18 de maio de 2008
A la céation du monde, il y a des millions d'années, Guaraci, le soleil, et Jaci, la lune, s'aimaient. Mais ils se voyaient seulement quelques minutes le matin et le soir. Et encore, pas tous les jours! Et ils étaient très mallheureux. Guaraci attendait Jaci tout le jour. Quand, enfin, elle apparaissait, lui devait se coucher. Jaci attendait Guaraci toute la nuit. Quand il se levait, elleétait obligée de s'en aller. Un soir...
Caidocais
E tudo entra em movimento com o que se tem. Parto sempre de uma cacofonia trágica. A roda entra em curso quando me curvo em silêncio - é nele que me suicido em alguns dias pela manhã.
O tempo não pára. Nem todas as paredes permanecem. Busco apoio num canto imaginado, fecho os olhos de náufrago, umedeço uma única mão espalmada, sinto cheiro de óleo, água e sal. A soleira da porta é o marco que me detém. Abro meu reservatório de sonho e de janela e de horizonte construo duas únicas possibilidades. Lanço-me em legenda congelada. Um som de flauta me suga para o porto. Observo os navios que dormem envelhecidos, são todos muito parecidos comigo. O meu limite é o desassossego de uma palavra vazia. Desalojo um significado para pô-lo em lugar qualquer, não quero ter o que dizer-te.
(ainda fecho os olhos
para no escuro sentir o peso
da mão que segura a minha)
-sonhos futuros.
O tempo não pára. Nem todas as paredes permanecem. Busco apoio num canto imaginado, fecho os olhos de náufrago, umedeço uma única mão espalmada, sinto cheiro de óleo, água e sal. A soleira da porta é o marco que me detém. Abro meu reservatório de sonho e de janela e de horizonte construo duas únicas possibilidades. Lanço-me em legenda congelada. Um som de flauta me suga para o porto. Observo os navios que dormem envelhecidos, são todos muito parecidos comigo. O meu limite é o desassossego de uma palavra vazia. Desalojo um significado para pô-lo em lugar qualquer, não quero ter o que dizer-te.
(ainda fecho os olhos
para no escuro sentir o peso
da mão que segura a minha)
-sonhos futuros.
domingo, 11 de maio de 2008
The Beatles e as "inhas"
Antes de qualquer coisa é preciso dizer que eu sou uma pessoa calma e um tanto tolerante – às vezes até demais –, mas em alguns momentos alguma coisa escapa e o equilíbrio quase escoa pelo ralo. Não que eu faça escândalo, não. E nem sempre digo o que realmente penso por ter a impressão de que não vai valer a pena falar.
É comum que eu permaneça calada. Em alguns casos posso até arriscar algumas palavras que acabam escapando além da conta, diante do fato de o pensamento organizar uma revolta. Isso se dá mais ou menos com a agitação hormonal de determinados períodos e o incômodo de pessoas “inhas” que aparecem pela vida a fora.
Em resumo, pessoas “inhas” são aqueles tipos que “se acham”, pensam que uma lata de cerveja é um “tudo”, falam muita besteira, cospem pra conversar, etc. Bem, em detalhe, são uns tipos que nos fazem olhar para o lado e dizer: ai, que saco!
Normalmente, pessoa “inha”, em se tratando de música, é aquela que a-do-ra os Beatles, claro! Não que os Beatles sejam “inhos”, mas toda “inha” pra ter certeza de que não vai errar, é muito, mas muito-muito-muito fã dos Beatles, lógico! E, óbvio, não conhece muita coisa de música, é quase sem repertório. Então, são só Beatles pra cá, Beatles pra lá... coitados dos Beatles.
Ok! John, Paul, George e Ringo, me perdoem! Absolutamente nada contra vocês. Mesmo com aquele corte de cabelo ridiculamente ridículo dos primeiros anos e aquele figurino arrumadinho demais, mauricinho demais, lambidinho demais, apesar ainda de terem se tornado uma moeda, nada mesmo contra os rapazes.
Em se tratando do sucesso, precisamos atribuir parte do mérito de os Beatles terem chegado aonde chegaram a Brian Epstein. O talento por si não seria suficiente. Prova disso foi a dissolução do grupo em 1970, quando tiveram que ser empresários de si mesmos, após a morte de Brian. E da tonelada de músicas gravadas, apesar de ouvi-las, penso que tem por lá umas sobras, alguma coisa comercial demais, produção por produção demais.
Outro dia estava lendo uma reportagem que falava da briga de Yoko Ono com uma associação de colecionadores pelos direitos autorais sobre um vídeo onde o ex-Beatle John Lennon aparece fumando maconha. Hilário! Não teriam coisa melhor pelo que brigar? No fim, acabaram concordando em não divulgar a imagem até que a questão sobre os direitos autorais seja resolvida.
Agora me pergunto, o que teria de tão especial em ver John fumando maconha?
_Alô-ou... Existem coisas melhores onde se apoiar, é preciso abrir a cabeça.
Ok! Isso não significa que eu não goste dos Beatles, mas comecei a ver defeitos demais, bobeiras demais em torno deles, especulação demais, e gosto barato demais, ... depois da “inha”.
É uma pena.
Putz! Que estrago uma “inha” não faz...
É comum que eu permaneça calada. Em alguns casos posso até arriscar algumas palavras que acabam escapando além da conta, diante do fato de o pensamento organizar uma revolta. Isso se dá mais ou menos com a agitação hormonal de determinados períodos e o incômodo de pessoas “inhas” que aparecem pela vida a fora.
Em resumo, pessoas “inhas” são aqueles tipos que “se acham”, pensam que uma lata de cerveja é um “tudo”, falam muita besteira, cospem pra conversar, etc. Bem, em detalhe, são uns tipos que nos fazem olhar para o lado e dizer: ai, que saco!
Normalmente, pessoa “inha”, em se tratando de música, é aquela que a-do-ra os Beatles, claro! Não que os Beatles sejam “inhos”, mas toda “inha” pra ter certeza de que não vai errar, é muito, mas muito-muito-muito fã dos Beatles, lógico! E, óbvio, não conhece muita coisa de música, é quase sem repertório. Então, são só Beatles pra cá, Beatles pra lá... coitados dos Beatles.
Ok! John, Paul, George e Ringo, me perdoem! Absolutamente nada contra vocês. Mesmo com aquele corte de cabelo ridiculamente ridículo dos primeiros anos e aquele figurino arrumadinho demais, mauricinho demais, lambidinho demais, apesar ainda de terem se tornado uma moeda, nada mesmo contra os rapazes.
Em se tratando do sucesso, precisamos atribuir parte do mérito de os Beatles terem chegado aonde chegaram a Brian Epstein. O talento por si não seria suficiente. Prova disso foi a dissolução do grupo em 1970, quando tiveram que ser empresários de si mesmos, após a morte de Brian. E da tonelada de músicas gravadas, apesar de ouvi-las, penso que tem por lá umas sobras, alguma coisa comercial demais, produção por produção demais.
Outro dia estava lendo uma reportagem que falava da briga de Yoko Ono com uma associação de colecionadores pelos direitos autorais sobre um vídeo onde o ex-Beatle John Lennon aparece fumando maconha. Hilário! Não teriam coisa melhor pelo que brigar? No fim, acabaram concordando em não divulgar a imagem até que a questão sobre os direitos autorais seja resolvida.
Agora me pergunto, o que teria de tão especial em ver John fumando maconha?
_Alô-ou... Existem coisas melhores onde se apoiar, é preciso abrir a cabeça.
Ok! Isso não significa que eu não goste dos Beatles, mas comecei a ver defeitos demais, bobeiras demais em torno deles, especulação demais, e gosto barato demais, ... depois da “inha”.
É uma pena.
Putz! Que estrago uma “inha” não faz...
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Os cravos do tempo
Tenho memória de tudo que esqueço, medo do que não sinto, saudade do que não vivi. Restam-me histórias sobre coisa alguma, fragmentos de dias solúveis, silêncios que descem abertos, um som diferente de chuva caindo num timbre que transborda. Minha realidade é bem estreita. Tem um lugar em mim que é muito longe. Meu abraço é de árvore. Ainda não me sei. Não consigo pensar o nada, me deixo sem nome.
sábado, 3 de maio de 2008
Pobres, porém, livres!
Seguir os passos de um Andarilho é sempre 'Pensamento e Lâmpada' *
Há 1001 lugares e motivos para não desistir de uma volta por aí.
Um beijo para o Johnny & abraço forte para o Walker.
Não morro sem...
http://1001albuns.blogspot.com/
*(leia-se: 'Idéia Brilhante')
Um beijo para o Johnny & abraço forte para o Walker.
Não morro sem...
http://1001albuns.blogspot.com/
*(leia-se: 'Idéia Brilhante')
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Mais condizente, como disse o Barata.
Pra ouvir e ver.
Imagine, imagine...
http://www.youtube.com/watch?v=jpqKA9_ddFk&eurl=http://www.orkut.com/FavoriteVideos.aspx?uid=11845274636284084575
Pra ouvir e ver.
Imagine, imagine...
http://www.youtube.com/watch?v=jpqKA9_ddFk&eurl=http://www.orkut.com/FavoriteVideos.aspx?uid=11845274636284084575
sábado, 19 de abril de 2008
sexta-feira, 18 de abril de 2008
O tempo debruça-se sobre o limiar da janela que não se abre para me receber
Uma fenda se cava. Côncava! E por ela o tempo se afasta todo cheio de demora, estrangeiro, borrando as canções em tinta azul que escrevi.
_ Subirás até a fonte?
_ Me faltam pés.
_ Sinalizarás para o vento?
_ Quando me regressarem as mãos.
_ Quem te colhe?
_ Toda a ausência que me sorri.
Um anjo negro de olhos cerrados aproxima-se me trazendo fogo.
_Eis que o mar já não mora mais aqui. Mudou-se para a curva do sonho. Não deixou a marca da estrela, sequer um beijo de despedida ou algo dito para gravá-lo em ti. Mandou-me, como mau consolo, entregar-te uma palma iluminada para que melhor aprecie quão grande é o plano da escuridão em que te desenhou no instante de partir.
Antes de fazer desaparecer o fogo, o anjo abriu os olhos, e neles eu vi...
Uma fenda que se cava. Côncava! E por ela o tempo se afasta todo cheio de demora, estrangeiro, borrando as canções em tinta azul que escrevi.
_ Subirás até a fonte?
_ Me faltam pés.
_ Sinalizarás para o vento?
_ Quando me regressarem as mãos.
_ Quem te colhe?
_ Toda a ausência que me sorri.
Um anjo negro de olhos cerrados aproxima-se me trazendo fogo.
_Eis que o mar já não mora mais aqui. Mudou-se para a curva do sonho. Não deixou a marca da estrela, sequer um beijo de despedida ou algo dito para gravá-lo em ti. Mandou-me, como mau consolo, entregar-te uma palma iluminada para que melhor aprecie quão grande é o plano da escuridão em que te desenhou no instante de partir.
Antes de fazer desaparecer o fogo, o anjo abriu os olhos, e neles eu vi...
Uma fenda que se cava. Côncava! E por ela o tempo se afasta todo cheio de demora, estrangeiro, borrando as canções em tinta azul que escrevi.
domingo, 13 de abril de 2008
seios como luas
"Não, a sério, espere, deixe-me desabotoar-lhe o soutien. Apaga-se uma das luzes na mesa de cabeceira, um púdico véu de penumbra desce sobre os lençóis (...). Eu descalço as peúgas sentado na cama, você luta com o fecho éclair das calças numa impaciência de taxista diante do sinal vermelho, e pode ser que pairem, com um pouco de sorte, neste quarto, doces atmosferas conjugais feitas de uma teia de hábitos comuns pacientemente conquistados. Mas deixe-me desapertar-lhe o soutien: adoro estes fechos pequeninos, complicados, que se abrem sempre ao contrário do que de início se pensa, e os seios que por fim me deixam na mão o seu invólucro de pano, como as cobras dependuram nos arbustos as peles abandonadas. Já reparou que os seios nascem como luas dos vestidos, redondos, brancos, macios, opalinos, de uma morna claridade interior de veias e de leite, erguendo-se sobre a cidade deitada do meu corpo num vagar triunfal? Gosto de ver os seios surgirem-me do flanco, subirem, indiferentes, à altura trémula e sequiosa dos meus beijos, cobrir com a nuvem do braço a sua suavidade calma, debruçar-me para a auréola dos mamilos em cuidados desajeitados de astronauta, pousar a testa no côncavo intervalo que os separa, e sentir dentro de mim, de olhos fechados, a funda tranqüilidade de um mar finalmente em repouso, tocado de leve pelo halo indeciso de um peito que amanhece."
(Os cus de Judas - António Lobo Antunes)
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Fechamento
amor X ódio
_Os opostos se atraem? Mesmo? E podem conviver harmoniosamente em guerra dentro do mesmo latão?
_Os opostos se atraem? Mesmo? E podem conviver harmoniosamente em guerra dentro do mesmo latão?
quarta-feira, 9 de abril de 2008
O Idiota
Os idiotas são indivíduos que encontraram na idiotice uma ótima maneira de passar pela vida.
O idiota é um controlador e perfeccionista: calcula tudo para que nada saia da idiotice. O idiota não é poético nem místico, reprova ímpetos passionais, procura a segurança dos prazeres pálidos, afasta tudo que por algum motivo possa perturbar a sua idiotice. É absolutamente previsível.
O idiota faz questão de mostrar para todos - mas todos mesmo! - a sua idiotice.
Cuidado! Nunca diga a um idiota que ele é um idiota, pois os idiotas podem ser idiotamente vingativos. Então, quando ele estiver idiotamente se mostrando idiota, faça de conta que está achando o máximo, faça uma cara de idiota e diga: "até mais".
(ao idiota, para que não seja esquecido)
sorry!
O idiota é um controlador e perfeccionista: calcula tudo para que nada saia da idiotice. O idiota não é poético nem místico, reprova ímpetos passionais, procura a segurança dos prazeres pálidos, afasta tudo que por algum motivo possa perturbar a sua idiotice. É absolutamente previsível.
O idiota faz questão de mostrar para todos - mas todos mesmo! - a sua idiotice.
Cuidado! Nunca diga a um idiota que ele é um idiota, pois os idiotas podem ser idiotamente vingativos. Então, quando ele estiver idiotamente se mostrando idiota, faça de conta que está achando o máximo, faça uma cara de idiota e diga: "até mais".
(ao idiota, para que não seja esquecido)
sorry!
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Ai, que saudade de ti!
Lá em Poa tudo é sempre tão tri...
Andando na andarilhagem dos outros a gente acaba descobrindo coisas que nos deixam tão bem...
Fiz um passeio de double-decker nesse vídeo pela minha terra natal. E me lembrei do pôr-do-sol no Guaíba visto da cúpula da Casa de Cultura Mario Quintana em tardes fugidas cheias de solidão, sob o céu de Porto Alegre...
O sol se esfria no Guaíba. Quando encosta faz tsssssssss...
^^
O clip é da Pública, banda de lá. Mostra alguns pontos da 'Londres' brasileira. O som da galera é muito bom.
http://www.youtube.com/watch?v=tF7zN16Kko0
Andando na andarilhagem dos outros a gente acaba descobrindo coisas que nos deixam tão bem...
Fiz um passeio de double-decker nesse vídeo pela minha terra natal. E me lembrei do pôr-do-sol no Guaíba visto da cúpula da Casa de Cultura Mario Quintana em tardes fugidas cheias de solidão, sob o céu de Porto Alegre...
O sol se esfria no Guaíba. Quando encosta faz tsssssssss...
^^
O clip é da Pública, banda de lá. Mostra alguns pontos da 'Londres' brasileira. O som da galera é muito bom.
http://www.youtube.com/watch?v=tF7zN16Kko0
domingo, 30 de março de 2008
ao farol
"Dirigidos por alguma luz desgarrada, tombada de uma estrela sem véu, de um navio errante, ou do próprio Farol, com sua pálida pegada sobre degraus e tapetes, os pequenos ares subiram a escada e farejaram pelas portas dos quartos. Mas aqui, decerto, tinham que parar. Quaisquer que fossem as coisas que pudessem aparecer e desaparecer, o que aqui se encontra é bem sólido. Aqui, podia-se dizer àquelas luzes deslizantes, àqueles ares tateantes que respiram e se curvam sobre o próprio leito, aqui nada podem tocar e nada podem destruir."
Virginia Woolf, Viagem ao farol
segunda-feira, 17 de março de 2008
Diuturnidade
Com o que sonham os Sonhos realmente?
1- Nem tudo estará dito depois de todas as palavras.
2- Nunca adormece uma memória atulhada de presenças.
3- Não abandona-se para sempre o vigoroso desequilíbrio das horas primitivas.
4- O tempo trabalha no ritmo da profundeza, e desdobra grosseiramente o que vamos encontrar por ser avesso a explicações.
5- O relógio soa no masculino e no feminino porque são necessários dois substantivos para germinar a máquina.
6- A libertação só é realmente profunda na profundidade indeterminada da solidão.
7- No abismo das sombras se rompe um albergue de fantasmas.
8- O monstro mais temido se tinge de melancolia.
.
.
(Quando o sonho é realmente profundo, o ente que vem sonhar em nós é o próprio Sonho.)
1- Nem tudo estará dito depois de todas as palavras.
2- Nunca adormece uma memória atulhada de presenças.
3- Não abandona-se para sempre o vigoroso desequilíbrio das horas primitivas.
4- O tempo trabalha no ritmo da profundeza, e desdobra grosseiramente o que vamos encontrar por ser avesso a explicações.
5- O relógio soa no masculino e no feminino porque são necessários dois substantivos para germinar a máquina.
6- A libertação só é realmente profunda na profundidade indeterminada da solidão.
7- No abismo das sombras se rompe um albergue de fantasmas.
8- O monstro mais temido se tinge de melancolia.
.
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(Quando o sonho é realmente profundo, o ente que vem sonhar em nós é o próprio Sonho.)
sábado, 15 de março de 2008
Zona autônoma
Tenho uma razão razoável para racionalmente tentar racionar o tempo reservado ao sonho. O sonho às vezes recebe uma certa espessura de significação que precipita o seu significado em relação ao significante sonhado.
O sonho sonha.
(- Eu, sonhando acordada já é uma merda, imagina no meio do quinto sono onde não tenho controle algum sobre o Seo Sonho!)
O sonho sonha.
(- Eu, sonhando acordada já é uma merda, imagina no meio do quinto sono onde não tenho controle algum sobre o Seo Sonho!)
terça-feira, 11 de março de 2008
domingo, 9 de março de 2008
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Sei lá... hoje estou tããão felizzzzzz.
Quero mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe, pra minha irmã, pro meu irmão, para as minhas duas estrelinhas, para o zangão aqui de casa, pra Mô, pro vizinho da esquerda, pro da direita, para o dos fundos (que eu nem conheço), pra galera que joga futebol na praça até de madrugada e fala um monte de palavrão... e pro Ita e pro Maurício que de alguma maneira sempre me fazem rir.
^^
manámaná... tchutchu... tchuu-ru.
.
.
ziligue-dum... balaco-baco... teleco-teco...
ziliguedumbalacobacotelecoteco...
Quero mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe, pra minha irmã, pro meu irmão, para as minhas duas estrelinhas, para o zangão aqui de casa, pra Mô, pro vizinho da esquerda, pro da direita, para o dos fundos (que eu nem conheço), pra galera que joga futebol na praça até de madrugada e fala um monte de palavrão... e pro Ita e pro Maurício que de alguma maneira sempre me fazem rir.
^^
manámaná... tchutchu... tchuu-ru.
.
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ziligue-dum... balaco-baco... teleco-teco...
ziliguedumbalacobacotelecoteco...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
ene-a-o-til
Toda existência envolve a idéia do NÃO.
Ser este é não ser aquele. Ser eu é não ser o outro.
(aula de Semiótica)
Ser este é não ser aquele. Ser eu é não ser o outro.
(aula de Semiótica)
domingo, 17 de fevereiro de 2008
sábado, 16 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
MON COEUR MIS A NU
A cada instante aparecem em nossas vidas convites e somos surdos. Temos medo.
Queremos o chão seguro, a prateleira arrumada, a mesa posta. Nos negamos a ser os autores de nossas próprias vidas, por medo.
A cada instante nascem oportunidades natimortas.
(em resumo, MEU CORAÇÃO DESNUNDADO - BAUDELAIRE)
aula de Semiótica
Queremos o chão seguro, a prateleira arrumada, a mesa posta. Nos negamos a ser os autores de nossas próprias vidas, por medo.
A cada instante nascem oportunidades natimortas.
(em resumo, MEU CORAÇÃO DESNUNDADO - BAUDELAIRE)
aula de Semiótica
domingo, 10 de fevereiro de 2008
JUSTIFICAÇÃO
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Fronteiras da memória e do esquecimento
A memória é uma utopia, ficção que se confronta com a complexidade e a irredutível multiplicidade do real. O esquecimento é um mundo anacrônico, cheio de retardos e perdas, é um monstro apressado, absorvente, tecido por mil memórias. São necessárias memórias para serem esquecidas, depois é necessário esquecê-las.
Entre memória e esquecimento reina a profusão de Babel.
(parágrafo de FRONTEIRAS QUE SE NARRAM, artigo científico desenvolvido para uma disciplina dos Estudos Culturais.)
Entre memória e esquecimento reina a profusão de Babel.
(parágrafo de FRONTEIRAS QUE SE NARRAM, artigo científico desenvolvido para uma disciplina dos Estudos Culturais.)
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Moralités légendaires
"Método, Método, que queres de mim?
Bem sabes que comi do fruto do inconsciente."
JULES LAFORGUE,
Mercure de France, p.24
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Linguagem e pensamento
A linguagem não é um mero instrumento de trabalho, é uma força que exprime as sutilezas do pensamento. Palavra e pensamento se entrelaçam, são fronteiras que se cruzam, contrários que se unem, sabores que se degustam.
(As palavras bonitas são uma espécie de remédio para a alma. Um pouco de lentidão na pronúncia e é possível saboreá-las em extensão.)
(As palavras bonitas são uma espécie de remédio para a alma. Um pouco de lentidão na pronúncia e é possível saboreá-las em extensão.)
sexo às palavras
"Meu silêncio é feminino", como diria Edmond Gilliard, pois todas as palavras o fecundam, e dentro dele gozam duplamente, como jamais conseguiriam de outra maneira.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
de 'A Excêntrica Família de Antonia'
O provérbio é errado. O tempo não cicatriza feridas. Ele apenas alivia a dor e embaça a memória.
Nada morre para sempre. Alguma coisa sempre fica, de onde outra nasce. Assim a vida começa sem saber de onde veio ou por que existe.
O tempo conquista o tempo. Às vezes o tempo fica lento como uma tartaruga cansada. Às vezes rompe pela vida como um abutre em busca de presa. O tempo não se preocupa com a vida ou a morte, declínio ou ascensão, amor, ódio ou ciúmes. Ignora tudo que nos é importante e faz com que esqueçamos dele.
(A excêntrica família de Antonia - Marleen Gorris)
[com a liberdade de algumas modificações de tempo]
Nada morre para sempre. Alguma coisa sempre fica, de onde outra nasce. Assim a vida começa sem saber de onde veio ou por que existe.
O tempo conquista o tempo. Às vezes o tempo fica lento como uma tartaruga cansada. Às vezes rompe pela vida como um abutre em busca de presa. O tempo não se preocupa com a vida ou a morte, declínio ou ascensão, amor, ódio ou ciúmes. Ignora tudo que nos é importante e faz com que esqueçamos dele.
(A excêntrica família de Antonia - Marleen Gorris)
[com a liberdade de algumas modificações de tempo]
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Dialética
1- Os olhos andam sem música.
2- Erra na matemática de algumas histórias.
3- O pensamento decretou falência múltipla de mais de mil palavras.
4- Já não ouve o que dizem todas as cores.
5- Rasgou suas fábulas.
6- Guarda um coisário repleto de vazios.
7- Graças ao cultivo de esquecimento, nada sabe sobre uma velha mania de devaneios que repousa inconsciente num dentro que não tem fora.
8- Ordena-se na distância metafísica de um nada cheio de águas.
Ouvi dizer que absteve-se dos amigos mais antigos. Acompanha-o agora somente a querida vã Glória, que fez dele, com muito esforço, um fulano sem sujeito.
2- Erra na matemática de algumas histórias.
3- O pensamento decretou falência múltipla de mais de mil palavras.
4- Já não ouve o que dizem todas as cores.
5- Rasgou suas fábulas.
6- Guarda um coisário repleto de vazios.
7- Graças ao cultivo de esquecimento, nada sabe sobre uma velha mania de devaneios que repousa inconsciente num dentro que não tem fora.
8- Ordena-se na distância metafísica de um nada cheio de águas.
Ouvi dizer que absteve-se dos amigos mais antigos. Acompanha-o agora somente a querida vã Glória, que fez dele, com muito esforço, um fulano sem sujeito.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
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A vida vai passando pela janela do carro. Tudo tão rápido que não há tempo para mergulhar na profundidade de cada coisa.
E que profundidade, se tudo é tão superficial?
E que profundidade, se tudo é tão superficial?
Quero todas as estrelas e só uma constelação
A falta de você é como um Nilo azul, que batendo em rocha dura esmigalha-a de grão em grão até esculpir o seu grande Quenium.
(coisas velhas)
(coisas velhas)
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
No dia em que acordei vegetaL
Meu siso nasceu do riso de uma papoula, despida da sílaba que a vestiu. Insígnias e palavras tem lugar no alto ponto onde fábulas resistem com poder de encantamento.
Tudo era verde.
Tudo era verde.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
kosmos X caos
Eu planto morangos e nascem morangos. Estamos tão acostumados com a ordem que não pensamos nela.
(plantar morangos e nascerem morangos não é nada óbvio, é mágico.)
(plantar morangos e nascerem morangos não é nada óbvio, é mágico.)
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Exemplos do insondável
Por vezes fecundo tristezas, me engravido de memórias, estouro, transbordo pelos lados, vazo, arrombo palavras, empurro e abandono desejos.
Evanesço.
Estanco debaixo de uma árvore, descanso entre folhas, cavo raízes, me alimento de um abraço.
Medro.
Evanesço.
Estanco debaixo de uma árvore, descanso entre folhas, cavo raízes, me alimento de um abraço.
Medro.
domingo, 13 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
o Leo tinha razão
"Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para o céu, pois lá esteve e para lá desejará voltar. " (Leonardo da Vinci)
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
relato de vôo

Dez da manhã e estávamos no pé do morro.Queria um termômetro pra saber a temperatura, nunca senti o sol arder tanto. Uma camada generosa de filtro solar em todo pedaço do corpo exposto, boné na cabeça, camelback nas costas, muito ânimo e hora de encarar a subida.
De todas as vezes que subi o morro essa foi a mais penosa. Subir no fim da tarde pra ver o pôr-do-sol é mais fácil, agora, com sol a pino é mesmo de matar. As pedras parecem maiores e mais altas, cansa em dobro e a subida fica mais ‘ingridi’,como diria nosso amigo Aldemar. O morro tem só 210 metros de altura, debaixo desse sol e com essas pedras parecem 400.
Já estava quase perdendo as pernas quando fizemos nossa parada merecida. Sentamos numa sombra onde a vista já recompensa. Enquanto todas as minhas sensações - cansaço, sede, náusea e fome - me sacudiam de uma só vez, os guris se divertiam observando alguns voadores que dominam o céu por aquelas bandas:
_ Tá vendo aqueles caras ali?
_ Os da esquerda ou da direita?
_ Os que estão na base daquela nuvem ali. Olha só que enroscada!
_ É... tão subindo tudo que dá...
De todas as vezes que subi o morro essa foi a mais penosa. Subir no fim da tarde pra ver o pôr-do-sol é mais fácil, agora, com sol a pino é mesmo de matar. As pedras parecem maiores e mais altas, cansa em dobro e a subida fica mais ‘ingridi’,como diria nosso amigo Aldemar. O morro tem só 210 metros de altura, debaixo desse sol e com essas pedras parecem 400.
Já estava quase perdendo as pernas quando fizemos nossa parada merecida. Sentamos numa sombra onde a vista já recompensa. Enquanto todas as minhas sensações - cansaço, sede, náusea e fome - me sacudiam de uma só vez, os guris se divertiam observando alguns voadores que dominam o céu por aquelas bandas:
_ Tá vendo aqueles caras ali?
_ Os da esquerda ou da direita?
_ Os que estão na base daquela nuvem ali. Olha só que enroscada!
_ É... tão subindo tudo que dá...
Fiquei procurando 'os caras' até cansar o pescoço, sentindo minha nuca esturricada (putz! esqueci desse pedaço). Bem, olhei, olhei e não achei nada, só uns passarinhos lá em cima.
Ok. Tomo água, fôlego, e o Arthur me puxa:
_ Bora amor, agora tem menos da metade.
Os passos estão lentos e fico pensando: que animação! Como a galera aqui gosta de diversificar, sempre buscando o melhor vento ou um vôo diferente não importando onde. Tudo pelo prazer e pela técnica. Nada de preguiça.
Topo do morro finalmente, tudo parado e - como diria nosso amigo Aldemar - ‘jarrada’ de vento que é bom, nada! Putz de novo! Escalar e morrer no morro?
NÃO! Não para o super-super Fernandes Falcon, o urubu mais cheio de ciência dessas paragens! Tan dannnnnnnn...
Aqui não, hein! Esse tira vento de pedra. E foi o que se deu. Asa aberta, equipamento em ordem, todo mundo conectado e...
_ Agora vai, agora vai... Ai meu Deus! Cadê esse vento? ... agora vai, agora vai... Pô!tá feio hein? ... É agora, é agora! Arthur, gruda aí. Vocês dois, dá pra fazer um varal?
_ Olha aqueles caras ali enroscando numa térmica. Acho que a bufa dela passa aqui.
De novo os tais 'caras'. Olho pra todo lado e nada. Dou três piscadas pra desembaçar e só mesmo passarinho lá em cima.
NÃO! Não para o super-super Fernandes Falcon, o urubu mais cheio de ciência dessas paragens! Tan dannnnnnnn...
Aqui não, hein! Esse tira vento de pedra. E foi o que se deu. Asa aberta, equipamento em ordem, todo mundo conectado e...
_ Agora vai, agora vai... Ai meu Deus! Cadê esse vento? ... agora vai, agora vai... Pô!tá feio hein? ... É agora, é agora! Arthur, gruda aí. Vocês dois, dá pra fazer um varal?
_ Olha aqueles caras ali enroscando numa térmica. Acho que a bufa dela passa aqui.
De novo os tais 'caras'. Olho pra todo lado e nada. Dou três piscadas pra desembaçar e só mesmo passarinho lá em cima.
Tá chegando a hora.
_Seguinte Ângela: quando eu falar ‘vai’, começa a correr e não pára.
_Ok!
_Seguinte Ângela: quando eu falar ‘vai’, começa a correr e não pára.
_Ok!
Eu estava tranqüila. Não sei por que, não sinto medo nenhum, confio no piloto e ao primeiro comando me atiro montanha abaixo. E foi assim mesmo.
_Corre, corre, corre, corre...
Pernas pra que te quero, saí correndo e fazendo força pra ajudar a arrastar a asa o que dava e inflar. Uhuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!
Quando me dei conta já estávamos voando e eu ainda pedalando no ar. Ops!
Que sensação! Vento na cara, ar de sobra pros pulmões, paisagem até onde os olhos alcançam, o mundo lá embaixo. Já sei como os pássaros se sentem. O vôo livre é mágico. Ficava olhando tudo aquilo, o céu ‘quase’ ao alcance, a paisagem toda cabendo no angulo da minha mão e já pensando na próxima vez que poderia fazer isso de novo. Lugar perfeito pra uma poesia, nem precisa de palavras. Abro a boca o quanto dá e engulo uma porção de vento, quero digeri-lo pro resto da vida. Olhei o pessoal que tinha ficado no morro, vejo o Arthur decolando e... ih! Acho que vai pregar. Pregou! (hehe)
Conseguimos uma térmica. A ordem era jogar todo o peso do corpo pra direita e assim conseguir enroscar, girar e subir. Subimos 1.167 pra cima da rampa, se o vento colaborasse chegaríamos mais alto. Mas chegamos aqui por pura peripécia do piloto mesmo, porque o dia não estava fácil. Fizemos metade do caminho pra cidade de Santo Antonio de Leverger. Lá em baixo muitas chácaras e piscinas. Tchauzinho pra galera do solo. Começamos a perder altura, o Fernandes escolheu um bom lugar pro pouso e pronto. Pé no chão de novo e nem dava pra acreditar que o meu solo, a uns segundos atrás, era feito de brisa. Pousamos no pasto de uma fazenda e o nosso resgate chegou junto. Por último, uma chuva de recompensa. De co-piloto pra piloto: Valeu, hein! Parabéns!

Foram 44 minutos em outra dimensão. Impossível passar por uma experiência como essa e não olhar para a vida de outra maneira. Queria que todos os meus amigos pudessem ter pelo menos um dia de pássaro nessa existência.
Sentir-se livre no céu, de peito aberto pro espaço é uma sensação insubstituível.
Ah! Sobre os tais caras? É que urubu aqui é gente. E se chamar um piloto de ‘urubuzão’... Nossa! mó elogio.
Sentir-se livre no céu, de peito aberto pro espaço é uma sensação insubstituível.
Ah! Sobre os tais caras? É que urubu aqui é gente. E se chamar um piloto de ‘urubuzão’... Nossa! mó elogio.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
desterritorialização
Fim de ano. Família reunida (a galera do sul veio fazer uma visita). Observação.
Eu nasci lá no pé do mapa, Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Sou filha de um indivíduo meio beat que nunca se deixou sossegar em lugar nenhum. Nem dá pra enumerar os cantos dessa América que lhe serviram de casa. Se a frase do Pumba tivesse sido dita pelo pai, eu não estranharia: "Lar é onde o bumbum descansa." Tinha alma de cigano, e o era, só não de nascença.
Bem, nessas andanças me largou no Mato Grosso, onde de vez enterrou o pé, literalmente. E nesta terra de Rondon me resta o fado de ser "pau-rodado". Todo mundo que nasceu em outras bandas e se aloja por aqui é digno desse título. E sempre que me perguntam de onde sou a resposta vem pronta: “De Porto Alegre!” Doce ilusão que se desfaz a cada contato com a minha terra ou gente de lá.
Se vou pra Poa, logo mandam: "Tu é de onde?" Se cá estou - e estou sempre - num determinado tempo de conversa vem a frase: "Você não é daqui, né?!"
Como assim? A que lugar pertenço, afinal?
Estou me conformando em não ser de lugar nenhum. Não pertenço mais a terra onde nasci nem ao lugar onde escolhi residir. Os de lá e os de cá me tiram isso.
Sou uma desterritorializada.
E essa é a situação de muitos por aí. Como no caso de uma amiga japa, brasileira de nascimento e filha de imigrantes japoneses. Aqui no Brasil ela não é brasileira, é japa, quando esteve no Japão não era japonesa, era brasileira. E ela fica “P” da vida com essa história. Fica toda grilada e me pergunta: “Eu sou de onde então?” Depois explico algumas coisas para a minha amiga japa.
E fica esse vazio de não pertencer a lugar nenhum.
Outro dia ouvi a Sirlei dizer que ela era internacional, ou seja, não defendia essa história de nação, de pátria, que isso tudo era uma grande bobagem, que isso só servia pra incluir o indivíduo em um determinado território e excluí-lo do resto do mundo.
E pensando bem... Olha que isso não é de todo ruim. Resolveria boa parte dos problemas desses povos que vivem em pé de guerra a eras. Ninguém estaria proibido de entrar em território alheio (território de quem?). Nenhum território seria de ninguém (território... o que é território?).
Já começo a compreender a Sirlei. Não pertencer a lugar nenhum é ser de todos os lugares ao mesmo tempo.
Ok! Nós, os desterritorializados, somos cidadãos do mundo.
Assim fica melhor.
Eu nasci lá no pé do mapa, Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Sou filha de um indivíduo meio beat que nunca se deixou sossegar em lugar nenhum. Nem dá pra enumerar os cantos dessa América que lhe serviram de casa. Se a frase do Pumba tivesse sido dita pelo pai, eu não estranharia: "Lar é onde o bumbum descansa." Tinha alma de cigano, e o era, só não de nascença.
Bem, nessas andanças me largou no Mato Grosso, onde de vez enterrou o pé, literalmente. E nesta terra de Rondon me resta o fado de ser "pau-rodado". Todo mundo que nasceu em outras bandas e se aloja por aqui é digno desse título. E sempre que me perguntam de onde sou a resposta vem pronta: “De Porto Alegre!” Doce ilusão que se desfaz a cada contato com a minha terra ou gente de lá.
Se vou pra Poa, logo mandam: "Tu é de onde?" Se cá estou - e estou sempre - num determinado tempo de conversa vem a frase: "Você não é daqui, né?!"
Como assim? A que lugar pertenço, afinal?
Estou me conformando em não ser de lugar nenhum. Não pertenço mais a terra onde nasci nem ao lugar onde escolhi residir. Os de lá e os de cá me tiram isso.
Sou uma desterritorializada.
E essa é a situação de muitos por aí. Como no caso de uma amiga japa, brasileira de nascimento e filha de imigrantes japoneses. Aqui no Brasil ela não é brasileira, é japa, quando esteve no Japão não era japonesa, era brasileira. E ela fica “P” da vida com essa história. Fica toda grilada e me pergunta: “Eu sou de onde então?” Depois explico algumas coisas para a minha amiga japa.
E fica esse vazio de não pertencer a lugar nenhum.
Outro dia ouvi a Sirlei dizer que ela era internacional, ou seja, não defendia essa história de nação, de pátria, que isso tudo era uma grande bobagem, que isso só servia pra incluir o indivíduo em um determinado território e excluí-lo do resto do mundo.
E pensando bem... Olha que isso não é de todo ruim. Resolveria boa parte dos problemas desses povos que vivem em pé de guerra a eras. Ninguém estaria proibido de entrar em território alheio (território de quem?). Nenhum território seria de ninguém (território... o que é território?).
Já começo a compreender a Sirlei. Não pertencer a lugar nenhum é ser de todos os lugares ao mesmo tempo.
Ok! Nós, os desterritorializados, somos cidadãos do mundo.
Assim fica melhor.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
dedicatória
Não são dois caminhos
é uma só alma
que se parte em duas histórias.
(porque a gente viaja.)
Histórias da nossa américa
de invasores e invadidos
desse romance de sermos negros, brancos e
índios, sempre índios.
Te apresento Isabel
e essa Inés que somos dela.
da desmemória que me resta,
poucas palavras.
para a hermana
em Inés da minha alma de Isabel Allende.
é uma só alma
que se parte em duas histórias.
(porque a gente viaja.)
Histórias da nossa américa
de invasores e invadidos
desse romance de sermos negros, brancos e
índios, sempre índios.
Te apresento Isabel
e essa Inés que somos dela.
da desmemória que me resta,
poucas palavras.
para a hermana
em Inés da minha alma de Isabel Allende.
crê/lê/vê/descrê/revê
sou meio Clarice
assim, sentidora...
"Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica:
fascinam-me as minhas mutações faiscantes
que aqui caleidoscopicamente registro."
(Clarice Lispector)
domingo, 30 de dezembro de 2007
essas coisas
"... Dos antepassados, cada índio tem que saber pelo menos duas coisas - onde está enterrado o umbigo e onde está enterrado o crânio. Quer dizer, onde o bebezinho nasceu e onde depois a pessoa morreu. Mas isso é coisa de índio. Homem branco hoje em dia não liga mais para essas coisas. Prefere saber escalação do time de futebol, marcas de automóveis e outras sabedorias civilizadas."
(História meio ao contrário - Ana Maria Machado)
(História meio ao contrário - Ana Maria Machado)
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
moldura para um dia bom
nenhuma outra voz a teria cantado tão bem.
nenhum outro sorriso poderia atribuir-lhe tanta leveza.
http://www.youtube.com/watch?v=vnRqYMTpXHc&feature=related
Foi gravada pela primeira vez por Armstrong no outono de 1967.
Mais otimista, impossível.
nenhum outro sorriso poderia atribuir-lhe tanta leveza.
http://www.youtube.com/watch?v=vnRqYMTpXHc&feature=related
Foi gravada pela primeira vez por Armstrong no outono de 1967.
Mais otimista, impossível.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
na deslealdade dos dias
O silêncio frontal impõe-me a tua presença. Ainda na memória busco o rastro aceso dos teus olhos (nunca sei o que realmente olham). À margem de ti, mantive-me navegando em múltiplas ausências.
Rabisco no inverso desse avesso arquipélago, minha história ao contrário. Não sei em que pé minha ilha se apóia. O incerto murmura na paisagem astrolábica dos meus olhos semi-cerrados. Invoco um enigma azul que rompe esse luto adverso.
(mas me quebraram os gestos e fio-me no surdo-mudo das palavras.)
Rabisco no inverso desse avesso arquipélago, minha história ao contrário. Não sei em que pé minha ilha se apóia. O incerto murmura na paisagem astrolábica dos meus olhos semi-cerrados. Invoco um enigma azul que rompe esse luto adverso.
(mas me quebraram os gestos e fio-me no surdo-mudo das palavras.)
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Glaubber - poesia em Cuiabá
Para uma edição de "A Tempestade" de Shakespeare de 1926.
"Amarelecidas
As páginas entregam
Juntamente com o tempo
O sabor dos anos...
A solidão desse silêncio pelo vento marulhado
O céu, que resplandece uma agonia alhures
Rumorejar das copas entediadas e solenes
Ritmo absoluto de como as cousas se movem
com a cor mediúnica da terra
em seu processo de labor e alegria...
e além desse silêncio
o pragmatismo obtuso de construções sem poesia
a caudal de violências em que buzinas e imprecações se agitam
vociferar do vozerio inescrupuloso em sua insolência..."
O Glaubber é poeta grande já, desses que fazem poesia até em papel higiênico.
Quer um papo com o poeta? Sabe a banca de livros do Sodré na rampa do IL, na UFMT? O poeta guarda as horas por lá. Está sempre disposto a conversar e te dar dica de bons livros.
Este e outro poema maravilhoso dele podem ser lidos na revista SINA do mês de novembro de 2007.
"Amarelecidas
As páginas entregam
Juntamente com o tempo
O sabor dos anos...
A solidão desse silêncio pelo vento marulhado
O céu, que resplandece uma agonia alhures
Rumorejar das copas entediadas e solenes
Ritmo absoluto de como as cousas se movem
com a cor mediúnica da terra
em seu processo de labor e alegria...
e além desse silêncio
o pragmatismo obtuso de construções sem poesia
a caudal de violências em que buzinas e imprecações se agitam
vociferar do vozerio inescrupuloso em sua insolência..."
O Glaubber é poeta grande já, desses que fazem poesia até em papel higiênico.
Quer um papo com o poeta? Sabe a banca de livros do Sodré na rampa do IL, na UFMT? O poeta guarda as horas por lá. Está sempre disposto a conversar e te dar dica de bons livros.
Este e outro poema maravilhoso dele podem ser lidos na revista SINA do mês de novembro de 2007.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
no cinturão de Orion
Orion é minha constelação favorita. Está no des/limite da minha geografia. É sempre a primeira coisa que olho quando estou sob céu aberto.
É minha diurna noite (me noturno com saudades da sua companhia).
Imaginoso.

"Na mitologia grega, Orion era um gigante caçador, por vezes chamado de Orião. De seu mito há várias versões . Segundo a mais comum delas, Orion era filho de Poseidon e de Gaia . Recebeu de seu pai o dom de andar sobre as águas, e de sua mãe o tamanho gigantesco. Dotado de beleza extraordinária ,era cobiçado pelas mulheres e pelas deusas.
Casou-se inicialmente com Side, que se dizia ser a mais bela de todas as jovens da Grécia antiga. Mas Side era orgulhosa e gabava-se de ser mais bela ainda do que as imortais, mais bela do que a própria Hera. Ciumenta, Hera vingou-se e precipitou a jovem do cimo das montanhas do Tártaro, matando-a. Tendo perdido a esposa, Orion perambulou perdido pela Terra.
Certo dia, foi chamado por Enopião, rei de Chios, para acabar com as feras que haviam invadido seu reino. Tendo terminado o serviço, conheceu a jovem Mérope, filha de Enopião. Mal se viram, os jovens apaixonaram-se. Porém o pai de Mérope era contra o casamento, e criou uma armadilha ao gigante. Enopião, que significa "o que bebe vinho", em grego, conseguiu embebedar o jovem. Quando este já estava dormindo, o rei cegou-o e expulsou-o do reino. Foi achado por um garoto, que se sentou em seus ombros e o guiou até o Sol Nascente. Quando Eos, a Aurora, o viu, apaixonou-se por ele e curou-o, dando-lhe novamente a visão. Os dois foram morar na ilha de Delos. Os dois viveram algum tempo juntos, porém o amor deles não durou muito, e Orion partiu para novas conquistas.
Em suas viagens conheceu Artemis, a deusa da caça, com quem criou forte amizade. Logo o caçador se apaixonou pela deusa, e, segundo dizem alguns autores, Artemis também se enamorou dele, apesar disso ser motivo de controvérsia. De qualquer forma a amizade dos dois gerou fortes ciúmes em Apolo , que um dia enviou um enorme Escorpião para matar o gigante. Apesar de o caçador estar habituado a esmagar estas criaturas , este era maior que Orion , além de possuir uma couraça que a espada do gigante não conseguia atravessar. Houve uma feroz batalha, que acabou com a morte de Orion.
Inconformada, Artemis pediu a seu pai, Zeus, que o revivesse. Zeus se recusou, mas acabou por transformar Orion em uma constelação, colocando-o nos céus. Transformou também o Escorpião, mas, temeroso de que os dois lutassem, Zeus colocou-o no canto oposto do céu, de forma que quando um ascendesse , à noite, o outro descendesse, e nunca estivessem juntos no céu.
Orion está no céu sempre a perseguir uma lebre, acompanhado por Sírius, que segundo alguns é seu cão, com uma pele de leão e com uma espada no cinto."
Casou-se inicialmente com Side, que se dizia ser a mais bela de todas as jovens da Grécia antiga. Mas Side era orgulhosa e gabava-se de ser mais bela ainda do que as imortais, mais bela do que a própria Hera. Ciumenta, Hera vingou-se e precipitou a jovem do cimo das montanhas do Tártaro, matando-a. Tendo perdido a esposa, Orion perambulou perdido pela Terra.
Certo dia, foi chamado por Enopião, rei de Chios, para acabar com as feras que haviam invadido seu reino. Tendo terminado o serviço, conheceu a jovem Mérope, filha de Enopião. Mal se viram, os jovens apaixonaram-se. Porém o pai de Mérope era contra o casamento, e criou uma armadilha ao gigante. Enopião, que significa "o que bebe vinho", em grego, conseguiu embebedar o jovem. Quando este já estava dormindo, o rei cegou-o e expulsou-o do reino. Foi achado por um garoto, que se sentou em seus ombros e o guiou até o Sol Nascente. Quando Eos, a Aurora, o viu, apaixonou-se por ele e curou-o, dando-lhe novamente a visão. Os dois foram morar na ilha de Delos. Os dois viveram algum tempo juntos, porém o amor deles não durou muito, e Orion partiu para novas conquistas.
Em suas viagens conheceu Artemis, a deusa da caça, com quem criou forte amizade. Logo o caçador se apaixonou pela deusa, e, segundo dizem alguns autores, Artemis também se enamorou dele, apesar disso ser motivo de controvérsia. De qualquer forma a amizade dos dois gerou fortes ciúmes em Apolo , que um dia enviou um enorme Escorpião para matar o gigante. Apesar de o caçador estar habituado a esmagar estas criaturas , este era maior que Orion , além de possuir uma couraça que a espada do gigante não conseguia atravessar. Houve uma feroz batalha, que acabou com a morte de Orion.
Inconformada, Artemis pediu a seu pai, Zeus, que o revivesse. Zeus se recusou, mas acabou por transformar Orion em uma constelação, colocando-o nos céus. Transformou também o Escorpião, mas, temeroso de que os dois lutassem, Zeus colocou-o no canto oposto do céu, de forma que quando um ascendesse , à noite, o outro descendesse, e nunca estivessem juntos no céu.
Orion está no céu sempre a perseguir uma lebre, acompanhado por Sírius, que segundo alguns é seu cão, com uma pele de leão e com uma espada no cinto."

Uma curiosidade:
As estrelas que formam o Cinturão de Orion serviram de inspiração para a construção das pirâmides de Giseh no Egito, que encontram-se alinhadas na mesma disposição das estrelas do cinturão do gigante.
"Na Pirâmide de Quéops, em particular, sabe-se um detalhe no mínimo interessante…Os dutos de ventilação que desembocam na Câmara do Rei permitem que, a partir do sarcófago de granito vazio que existe no interior da Câmara, se visualize numa determinada época do ano o "Cinturão de Órion" por um duto, e a estrela Sírius (a (Alpha) Canis Majoris), pelo outro."
Só pra comparar:

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